Guerra trará violência contra palestinos, diz negociador

O negociador palestino Saeb Erekat advertiu que em meio a um conflito com o Iraque, "mais violenta será a guerra" de Israel contra os palestinos. Ele também atribuiu ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, a intenção de assassinar Yasser Arafat. Deste modo, Erekat, um dos artífices dos acordos de Oslo, desenhou um cenário sem esperanças para sua gente, porque a morte do presidente da Autoridade Palestina (AP) criaria um vazio de poder que, disse, será usado para justificar a impossibilidade de tentativas de negociação e o prosseguimento da ocupação. Jericó, onde Erekat foi eleito deputado em 1996, é uma pequena e tranqüila cidade a poucos quilômetros de Jerusalém e do Mar Morto - um oásis não apenas natural, como também político.Os israelenses perpetraram ali alguns ataques nos últimos 28 meses, desde o início da segunda intifada. O toque de recolher foi imposto em algumas oportunidades, mas a cidade não foi destruída. Com a vitória do premier Sharon nas eleições de duas semanas atrás, "a idéia da paz foi derrotada", disse Erekat à Ansa, em seu escritório na periferia da cidade.Acrescentou que o conflito no Iraque só tornará pior a situação: "Quanto mais se fala de guerra no Iraque, mais se faz guerra contra os palestinos". A política de Sharon, segundo o dirigente palestino, é continuar mantendo congeladas as negociações, buscando uma "solução" militar para o problema. "Pedi aos americanos que se sentem para discutir agora, de imediato, o itinerário da paz", fixando os mecanismos e os tempos, expressou Erekat, mas "se postergou tudo para depois das eleições, em seguida para depois da formação do governo e agora só se fala no Iraque". O assim chamado "itinerário da paz" até hoje nunca foi apresentado publicamente. A guerra contra o Iraque está no centro das preocupações do mundo e o que ocorre na Palestina não interessa, lamentou o negociador. E do conflito Sharon tirará vantagem, pois "reocupará a Faixa de Gaza e provavelmente matará Arafat", sabendo que a alternativa ao presidente palestino é "o caos, os senhores da guerra, a milícia" - ou seja, "gente que matará pessoas como eu", consideradas traidoras, porque discutiram a paz com Israel. Do mesmo modo que se utilizaram - disse - dos atentados de 11 de setembro contra os palestinos, Sharon e sua equipe utilizarão a guerra no Iraque, sustentou Erekat, que não economizou críticas aos governos ocidentais. "Sharon e Netanyahu (Benjamin, ministro israelense de Relações Exteriores) são fascistas e racistas", acrescentou; e, com base nesta opinião, disse não compreender qual o interesse que têm certos governos em apoiá-los. Nascido em Jeruslaém há 47 anos, graduado em Ciências Políticas nos EUA, jornalista durante 12 anos, Erekat disse que nunca pensou em deixar sua terra, apesar do temor de ter o mesmo fim de seus companheiros que lutaram pela paz - ou seja, o de morrer assassinado.

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