Guerra urbana na capital dificulta ação de caças da Otan

A campanha de ataques aéreos lançada pela Otan - fundamental para o avanço dos rebeldes a Tripoli - agora constitui um obstáculo sob muitos aspectos. Segundo várias fontes militares da aliança ocidental, a luta está se tornando uma complexa guerrilha urbana, com crescentes combates de casa em casa.

Eric Schmitt e Elisabeth Bumiller, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Caças aliados continuarão os sobrevoos em busca de alvos, mas principalmente nos arredores da cidade. Estão na mira dos bombardeios locais para onde as tropas do regime podem tentar escapar ou reunir reforços. Nessas regiões, o risco de baixas entre civis é muito menor, enfatizaram oficiais aliados.

Um porta-voz da Otan, coronel Roland Lavoie, disse na terça-feira em coletiva em Nápoles que "há ainda muitas armas nesses locais e muitos alvos que poderemos atingir se encontrarmos indícios de que possam representar uma ameaça para a população civil". Ele reconheceu que o ambiente urbano de Trípoli, cidade 2 milhões de habitantes, é "muito mais complexo" para os ataques.

Até o momento, suspeitava-se que os alvos atacados na capital fossem, em sua maioria, quartéis-generais do comando militar. Acreditava-se ainda que os locais estavam sendo monitorados por dias ou semanas pela Otan com aviões espiões, para ter certeza de que não havia civis nessas áreas.

No entanto, especialistas em identificação de alvos e pilotos de caças não têm essa opção quando as linhas de batalha se deslocam com a atual rapidez, em combates por cada quarteirão, rua e casa. "A situação pode ficar difícil, pois o uso do poderio aéreo, em grande parte, é vetado quando se atua em combates urbanos", disse o senador americano John McCain. "É difícil identificar os alvos e ter uma ação eficaz. Mas não acredito que haja dúvidas quanto ao resultado final."

Não é a primeira vez que os EUA ou a Otan enfrentam o desafio de expulsar inimigos de zonas urbanas. As tropas americanas aprenderam muito combatendo os rebeldes em Bagdá. Embora os EUA e a Otan não tenham tropas regulares na Líbia, os aliados transmitiram essas lições aos rebeldes, acreditando que, se elas forem aplicadas, as forças leais ao ditador Muamar Kadafi serão definitivamente desalojadas de Trípoli. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

SÃO REPÓRTERES DO "NEW YORK TIMES"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.