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Guerras no Iraque e Afeganistão e militância islâmica motivaram atentado

Dzhokhar Tsarnaev afirmou ao FBI que ele e seu irmão não tinham contato com grupos extremistas

O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2013 | 10h57

(Atualizada às 16h) BOSTON - O americano de origem chechena Dzhokhar Tsarnaev, acusado do atentado à Maratona de Boston, que deixou três mortos na semana passada, disse aos investigadores que ele e seu irmão, Tamerlan, não tinham contatos com grupos terroristas, mas executaram o ataque motivados pela militância islâmica e pelas guerras americanas no mundo ocidental.

Um funcionário, em condição de anonimato, contou ao jornal Washington Post, que Dzhokhar citou as guerras no Iraque e no Afeganistão como razões para o atentado.  

Um funcionário do governo disse à imprensa que Tsarnaev - em declarações por escrito e gestos da cabeça, expressou aos investigadores que ele e seu irmão não tinham contato com grupos terroristas. Tsarnaev, que sofreu ferimentos na boca que o impedem de falar, também indicou que ele e seu irmão planejaram os ataques por conta própria e motivados pelo islamismo radical.

O estado de saúde de Dzhokhar passou de "grave" para "favorável", mas ele continua entubado, segundo o último comunicado divulgado pelo hospital onde ele está internado.

O FBI informou que os dois suspeitos, que detonaram nas ruas de Boston duas bombas confeccionadas com panelas de pressão, tinham armas de fogo, munição e outros artefatos explosivos. O arsenal sugere que os suspeitos planejavam outros ataques.

Ontem, um juiz federal foi ao hospital onde Tsarnaev recebe atendimento pelos ferimentos que sofreu em seus confrontos com a polícia, leu seus direitos e o acusou de "uso de arma de destruição em massa" contra pessoas e propriedades.

Tamerlan, de 26 anos de idade, morreu na noite de quarta-feira para quinta-feira passada durante um tiroteio com a polícia dois dias depois que duas bombas foram detonadas na reta final da maratona. Desde a semana passada, pessoas que conheciam os irmãos Tsarnaev disseram à imprensa que Tamerlan havia adotado há cerca de cinco anos uma posição islâmica extremista.

Viúva

A viúva de Tamerlan Tsarnaev ficou em choque ao saber do ataque e vai cooperar com as investigações, disseram seus advogados nesta terça-feira, 23. Katherine Russel, nasceu em Rhode Island, mudou seu sobrenome para Tsarnaev após o casamento e se converteu ao islamismo, segundo Amato DeLuca, um de seus advogados. "Ela está fazendo tudo o que pode para ajudar (nas investigações)."

O FBI pediu para realizar uma entrevista com Katherine para falar sobre Tamerlan, mas seu advogado não deixou claro se isso já foi feito. Para a imprensa, DeLuca afirmou que a mulher "ficou em choque" ao saber do atentado e não sabia dos planos dos irmãos Tsarnaev de colocar bombas perto da linha de chegada da maratona. / EFE e WASHINGTON POST

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