Carlos Garcia Rawlins/REUTERS
Carlos Garcia Rawlins/REUTERS

‘Guerreiros lobo’, os diplomatas chineses voltam a defender o país nas redes sociais

Representantes proferem insultos no Twitter, enfrentam críticos e sugerem conspirações

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2021 | 05h00

PEQUIM - Os diplomatas "guerreiros lobo" da China estão de volta, após uma breve pausa, proferindo insultos no Twitter, enfrentando vozes críticas e sugerindo conspirações. Estão hiperativos, em meio à pressão ocidental pelo tratamento, por parte de Pequim, aos muçulmanos uigures de Xinjiang.

Mas o que representam os "guerreiros lobo", que mais uma vez mostram os dentes?

Quando começou?

O termo "diplomacia do guerreiro lobo" se popularizou em 2019, quando os enviados chineses, sobretudo o porta-voz Zhao Lijian, adotaram um tom veemente para defender o país em redes sociais como o Twitter, que hoje se encontra bloqueado na China. Sua origem está em um filme ao estilo Rambo sobre um soldado das forças especiais chinesas.

A China afirma que se viu obrigada a mudar de tom em meio às provocações de Donald Trump durante seu mandato presidencial.

Como porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian promoveu teorias conspiratórias, incluindo a de que o exército americano teria sido responsável por levar a covid-19 para a China. A posição foi uma resposta às acusações de "vírus chinês", então repetidas à exaustão por Donald Trump, que afirmou, sem prova, que o coronavírus teria saído de um laboratório chinês.

Em dezembro passado, Zhao Lijian criticou a Austrália em tuítes, acusando "soldados australianos" de "assassinato de civis e prisioneiros afegãos". A mensagem acompanhava a imagem de um soldado com uma faca ensanguentada na garganta de uma criança.

Os especialistas acreditam que a ativação do modo ataque reflete a nova China do presidente Xi Jinping.

Por que estão de volta?

Quando Joe Biden assumiu a presidência americana em janeiro, os diplomatas da China pensaram que as relações melhorariam.

A trégua se partiu em mil pedaços, porém, na reunião entre Estados Unidos e China no Alasca em meados de março, onde o diplomata de maior escalão do Partido Comunista Chinês, Yang Jiechi, ameaçou adotar medidas em relação à "interferência dos Estados Unidos".

"A forte conversa de Yang em Anchorage parece ter animado os diplomatas chineses de alto nivel a fazer comentários incendiários", diz Mathieu Duchatel, diretor do Programa de Ásia do Instituto Montaigne, radicado em Paris.

O cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Li Yang, chamou de "garoto" o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e disse que o Canadá é um "pau-mandado dos Estados Unidos".

E, no final de março, quando União Europeia, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos anunciaram sanções pela questão uigur, a porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Hua Chunying, sugeriu que a CIA queria desestabilizar a China.

Em resposta ao boicote contra marcas como H&M e Nike, que expressaram preocupação com a cadeia de fornecimento têxtil em Xinjiang, Hua mostrou uma foto na qual, segundo ela, havia escravos negros nos campos de algodão dos Estados Unidos. /AFP

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