Guerrilha birmanesa diz que continuará lutando

A dúvida sobre a continuação começou após a morte do líder Pado Manh Sha

EFE

16 de fevereiro de 2008 | 02h50

A União Nacional Karen (UNK), o grupo rebelde de maior poder militar em Mianmar (antiga Birmânia), anunciou que continuará lutando apesar do assassinato de seu líder, Pado Manh Sha. "Perdemos um de nossos líderes, mas nada afetará nosso movimento (...) a luta continuará", disse em comunicado o presidente da UNK, Ba Thien. A organização guerrilheira nomeou como novo chefe Htoo Htoo Lay, de 61 anos, e até agora braço direito de Manh Sha, baleado há três dias em sua casa na localidade fronteiriça tailandesa de Mae Sot. Ba Thien atribuiu seu assassinato a mercenários contratados pela Junta Militar de Mianmar, embora o regime negue a acusação. A UNK, que chegou a ter cerca de 30.000 combatentes, perdeu boa parte deles em 1996, quando os soldados governamentais conquistaram seu quartel-general em Manerplaw, perto da fronteira com a Tailândia. No entanto, continua sendo a guerrilha com maior capacidade de todas as que lutam contra a Junta Militar, com pelo menos 7.000 quadros regulares que afirmam representar mais de sete milhões de pessoas da etnia karen. A UNK abortou em 2004 as negociações de paz com o Governo, e nos últimos meses dezenas de pessoas morreram e cerca de 40.000 foram deslocadas pela última ofensiva do Exército contra os rebeldes. Mianmar é governada pelos militares desde 1962 e não realiza eleições desde 1990, quando o partido oficial perdeu estrondosamente para a coalizão opositora liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, pleito cujo resultado jamais foi reconhecido pelos generais.

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