Guerrilha colombiana mata 19 militares

Ataques atribuídos às Farc são os mais mortíferos desde reinício do diálogo de paz

AFP, REUTERS E EFE

21 de julho de 2013 | 22h53

Ataques atribuídos às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deixaram 19 militares mortos durante o fim de semana, nas ações mais mortíferas da guerrilha colombiana desde a retomada das negociações de paz entre a milícia e o governo de Bogotá, no fim do ano passado. A informação foi anunciada neste domingo, 21,pelo presidente do país, Juan Manuel Santos.

No sábado, 15 homens do Exército colombiano que faziam a segurança das obras de um oleoduto morreram após serem atacados por um grupo de guerrilheiros.

Usando armas de longo alcance e explosivos, os integrantes das Farc atingiram os militares na estrada que liga os municípios de Tame e Fortul, no Estado de Arauca. A região, rica em petróleo, fica perto da fronteira com a Venezuela e tem uma forte presença das Farc.

A guerrilha ataca frequentemente as obras do oleoduto que está sendo construído pela estatal Ecopetrol.

O presidente Santos viajou para a região e teve uma reunião com o comando militar para tratar do assunto. De acordo com o Exército, 11 guerrilheiros foram detidos na ação.

"Nossos corações estão com as famílias dos 15 heróis da pátria que sacrificaram suas vidas em Arauca pela tranquilidade e pela segurança de seus compatriotas", afirmou Santos.

O presidente também ordenou o envio de um reforço militar à região para tentar capturar guerrilheiros que teriam ficado feridos no ataque.

Em outro episódio, também no sábado, seis guerrilheiros e quatro militares morreram. O combate aconteceu no Estado de Caquetá, no município de El Doncello, área onde as Farc concentraram diversos grupamentos de seu "Bloco Sul".

 

Negociações

Em novembro, o governo e as Farc iniciaram uma nova rodada de conversas de paz em Havana, Cuba. Apesar do diálogo, confrontos e ataques como os dos últimos dias continuaram acontecendo.

Bogotá rejeitou a proposta de um cessar-fogo bilateral desde o início das novas negociações e afirmou que continuaria protegendo o povo e combatendo os guerrilheiros até que uma solução fosse alcançada.

Neste domingo, 21, o presidente colombiano reiterou a posição, após falar sobre as mortes do fim de semana.

Santos disse ter dado ordem expressa ao ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón Bueno, e ao alto comando militar que não deixem de atirar "um só minuto" enquanto o conflito não acabar e um acordo de paz não for firmado com a guerrilha.

"Toda a Colômbia precisa trabalhar pela paz, justamente para que incidentes como os que ocorreram nas últimas 24 horas nunca mais voltem a acontecer", disse Santos.

 

Perdão

O ex-presidente colombiano Belisario Betancur, que governou o país entre 1982 e 1986, pediu pela primeira vez desculpas públicas pela maneira como conduziu a relação de sua gestão com as Farc.

Em entrevista que foi ao ar na noite de sábado, 20, parte de um documentário da emissora de TV Caracol, Betancur admitiu que pode ter cometido erros ao selar um acordo de paz com as Farc e outros três grupos guerrilheiros colombianos em 1984.

Um ano depois da assinatura do pacto, as guerrilhas consideraram insuficientes as atitudes do governo para cumprir sua parte no acordo. Um comando armado chegou a invadir o Palácio da Justiça, no centro de Bogotá, em uma ação que terminou com centenas de mortes.

No ano passado, o Tribunal Superior colombiano pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigasse as atitudes de Betancur na condução da crise da invasão do palácio.

O próprio presidente Santos, entretanto, interrompeu o processo, dizendo que o pedido feito ao TPI não tinha "nenhum sentido jurídico". Santos também pediu desculpas ao ex-presidente pela atitude do Judiciário.

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