Guerrilha colombiana rejeita mediação da ONU

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) rejeitaram a mediação das Nações Unidas para o conflito, alegando que uma solução para o confronto armado deve ser negociada diretamente com o Estado colombiano. Em sua primeira comunicação oficial desde que o presidente Alvaro Uribe assumiu o governo, os rebeldes afirmaram que o novo mandatário aposta na "guerra total" e "só acena para a insurgência com a força bélica do Estado, para submetê-la através das armas". Uribe solicitou com êxito ao organismo internacional que prestasse seus "bons ofícios" para sondar a disposição para a paz por parte dos grupos armados ilegais, entre eles as Farc. No entanto, o presidente condicionou o início de qualquer diálogo a uma declaração de cessar-fogo imediato. No comunicado, procedente das montanhas da Colômbia, datado de 20 de agosto e enviado nesta quinta-feira através da Internet, as Farc afirmaram que continuam convencidas da necessidade de uma "solução política" para o conflito que deixa 3.500 mortos a cada ano. Além disso, os rebeldes reiteraram suas exigências ao Estado, para que inicie os diálogos em meio ao confronto. Entre estas, eles querem a desmilitarização dos departamentos de Caquetá e Putumayo, no sul do país - uma área de cerca de 110.000 km2, mais do dobro da zona de distensão controlada pelas Farc durante o fracassado processo de paz com o então presidente Andrés Pastrana, entre janeiro de 1999 e fevereiro deste ano. Também pediram ao governo um combate frontal ao paramilitarismo de direita, e que deixe de qualificar os insurgentes como "terroristas" e "narcoterroristas". Outra exigência é a de que seja retomada a agenda de negociações que elaboraram com o governo Pastrana, que inclui reformas sociais e econômicas do Estado. Uribe, que não descarta dialogar com os rebeldes, optou em princípio por um esquema de confronto, que implica no aumento da capacidade das Forças Armadas e na solicitação de colaboração por parte dos civis. Hoje mesmo, a ministra da Defesa, Martha Lucía Ramírez, anunciou que serão recrutados cerca de 20.000 jovens camponeses para que vigiem com armas as zonas do país onde existe escassa vigilâcia da força pública. Ainda hoje, num primeiro indício do aumento da capacidade militar oficial, fontes de Bogotá informaram que 11 helicópteros blindados tipo Huey serão entregues pelo governo dos EUA para serem incorporados à frota de aeronaves de apoio à luta contra a guerrilha. Os 11 helicópteros fazem parte dos 25 que Washington foi autorizado a doar ao Exército da Colômbia para dotá-lo de aeronaves de combate e transporte através do país, informou um porta-voz do ministério da Defesa colombiano. Segundo a fonte, os helicópteros seriam transportados em um avião militar, a partir de uma base em Miami, possivelmente até a base do comando aerotransportado localizada ao lado do aeroporto Eldorado, em Bogotá.

Agencia Estado,

22 Agosto 2002 | 16h58

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