Guerrilha colombiana usa violência contra mulher como tática

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da OEA, afirmou nesta terça-feira que os grupos em conflito armado na Colômbia usam a violência física, sexual e psicológica contra as mulheres como uma tática de guerra.Em um relatório divulgado nesta terça, a comissão, subordinada à Organização dos Estados Americanos (OEA), disse que este tipo de violência é aplicado principalmente pelos grupos paramilitares e por guerrilheiros.O documento da Relatoria de Direitos das Mulheres da CIDH, também revela que a discriminação "acentua o impacto da violência tem sobre elas, suas famílias e suas comunidades" e pede ao Governo colombiano que enfrente a situação.Além disso, expõe a condição "especialmente crítica" das mulheres indígenas e afrodescendentes, que enfrentam não só as conseqüências da discriminação de gênero, mas também as relacionadas com a sua origem étnica.O relatório examina o problema do recrutamento de meninas e mulheres jovens por grupos armados como as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).A Comissão destaca que as meninas são violadas, forçadas a usar dispositivos intra-uterinos e a praticar abortos. "Os líderes paramilitares mandam buscar meninas de 12 a 14 anos para viverem com eles, a fim de prestar serviços sexuais e desempenhar as tarefas domésticas", denuncia o relatório.A CIDH disse que recebeu informação sobre uma jovem grávida que foi assassinada em represália por ter escapado. O seu bebê foi removido do útero e exposto como símbolo para outras meninas na mesma situação.A comissão também considera "alarmantes" os ataques às organizações dedicadas à defesa dos direitos das mulheres. As manifestações de violência derivadas do conflito armado forçaram o deslocamento de mais de 2 milhões de pessoas, com alta incidência de famílias chefiadas por mulheres (quatro em cada dez).Além disso, ao procurar a Justiça, as mulheres recebem um tratamento e uma resposta inadequados. Para a comissão, isto aumenta o medo de denunciar os crimes e a desconfiança na capacidade das instâncias judiciais. O resultado é um ambiente de impunidade, que perpetua o tratamento das mulheres como botim de guerra.A CIDH afirma que "o Estado parece carecer de uma visão integral e preparação efetiva e exaustiva para abordar as conseqüências da violência e discriminação que o conflito impõe às mulheres".

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