Guerrilha convoca luta armada no México

O grupo guerrilheiro Exército Popular Revolucionário (EPR) do México convocou a população para participar da defesa armada e de ações políticas contra a imposição do candidato presidencial do Partido Ação Nacional (PAN), Felipe Calderón. O EPR, que tem um histórico de atos de propaganda e atentados com artefatos caseiros desde sua criação, em 1996, afirma em comunicado que o governo de Vicente Fox está preparando "um novo banho de sangue". "Estão analisando a repressão como elemento determinante para a imposição de Felipe Calderón", acusa o texto. O grupo armado afirma que a decisão tomada no sábado pelo Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF), de nãocontar de novo todos os votos das eleições de 2 de julho, "faz parte de um plano único da administração Fox". A recontagem é exigida pelo candidato de esquerda, Andrés Manuel López Obrador. Ele afirma ter sido vítima de uma fraude. O Instituto Federal Eleitoral deu a ele o segundo lugar, com 243.900votos a menos que Calderón. O EPR afirma em seu comunicado que "a partir desta nova afronta, para o povo nada será como antes" e faz um apelo a diversos outros grupos no país para deter a "imposição da extrema direita" e garantir o "respeito à vontade popular". A nota defende a "difusão das ações políticas de massas, que venham a gerar consciência da necessidade de lutar pela transformação profunda" do México. O EPR surgiu em 28 de junho de 1996, no primeiro aniversário de um massacre de 17 camponeses, e tem presença mais forte nos Estados de Oaxaca e Guerrero, no sul, e de Puebla e Estado do México, no centro do país. Suas ações têm se limitado a atos de propaganda e à explosão de bombas de pequena potência em bancos. Mas também é acusado de ter seqüestrado grandes empresários, antes de sua primeira aparição pública.Resistência civilO candidato mexicano de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, disse que sua resistência civil, exigindo a recontagem dos votos das eleições presidenciais, agora também terá como objetivo "transformar as instituições" judiciais."Vamos manter a resistência civil pacífica pelo tempo que for necessário. Não queremos só a apuração dos votos. Agora, vamos iniciar o movimento para transformar as instituições de nosso país", afirmou o político de esquerda.López Obrador discursou em frente ao Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF). Ele criticou a decisão judicial do órgão, que no sábado determinou a recontagem apenas dos votos de 9% das seções e não de todas, como pedia a coalizão de esquerda."Não vamos permitir que dinheiro derrote a moral e a dignidade de nosso povo", insistiu López Obrador, derrotado por 243.900 votos pelo conservador Felipe Calderón, segundo a apuração do Instituto Federal Eleitoral (IFE)."Viemos dizer aos magistrados, de maneira respeitosa, que não aceitamos a apuração parcial. O povo do México não quer só uma parte da verdade, um dízimo de democracia, e sim 100%", discursou López Obrador para mais de mil de pessoas.López Obrador afirma ter sido vítima de uma fraude eleitoral e recorreu à Justiça para pedir a recontagem dos votos.

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