REUTERS/Federico Rios
REUTERS/Federico Rios

Guerrilha de extrema esquerda ELN assume atentado a escola de cadetes na Colômbia

Grupo afirma que ataque “faz parte da guerra” e que é uma resposta às atividades militares do governo do presidente Iván Duque

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 09h46

BOGOTÁ - A guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) admitiu nesta segunda-feira, 21, a responsabilidade pelo ataque com carro-bomba a uma academia de polícia na Colômbia, que deixou mais de 20 mortos e 60 feridos na quinta-feira 17. Para o grupo, o atentado estava “dentro do direito da guerra” e foi uma resposta às atividades militares do governo do presidente Iván Duque.

"A operação realizada contra essas instalações e tropas é lícita dentro do direito da guerra. Não houve nenhuma vítima não combatente", alegou a direção nacional da guerrilha em comunicado divulgado na internet nesta madrugada.

Segundo o comunicado do ELN, a Escola de Cadetes da Polícia Nacional é uma instalação militar e, lá, "recebem instrução e treinamento os oficiais que depois realizam inteligência de combate, conduzem operações militares, participam ativamente da guerra contrainsurgente e dão tratamento de guerra ao protesto social".

Na semana passada, logo após o episódio, as forças do governo colombiano já haviam atribuído ao grupo de extrema esquerda a responsabilidade pelo atentado. Por causa disso, o governo do presidente Iván Duque abandonou as negociações por acordos de paz em Havana.

No domingo 20, milhares de pessoas vestidas de branco marcharam em repúdio ao atentado, agitando bandeiras da Colômbia e cartazes com palavras de ordem como "assassinos covardes" e "a vida é sagrada".

‘Legítima defesa’

De acordo com o comunicado do ELN, o ataque seria uma resposta a atividades militares lançadas pelo governo de Duque durante o cessar-fogo unilateral oferecido pela guerrilha no Natal e no fim do ano. "O presidente não deu a dimensão necessária ao gesto de paz" e "sua resposta foi realizar ataques militares contra nós em todo território nacional", afirmou o ELN.

"As Forças Armadas do governo aproveitaram este cessar-fogo para avançar as posições de suas tropas de operações, ganhando localizações favoráveis difíceis de conseguir sem o cessar-fogo", completou o comunicado.

De acordo com o ELN, as tropas colombianas bombardearam um acampamento da guerrilha em 25 de dezembro, atingindo uma família de camponeses que estava próximo. "É, então, muito desproporcional que, enquanto o governo nos ataca, diga que nós não podemos responder em legítima defesa", continuou a nota.

O ELN garantiu que seus acampamentos, onde se formam seus combatentes, também são atacados.

"Nós não interrompemos nem reduzimos os esforços pela paz. Temos claro que estamos em uma guerra, já que a classe no poder reiterou que os diálogos devem transcorrer em meio ao conflito", justificou o ELN.

O grupo insistiu em um cessar-fogo bilateral "para gerar um clima favorável aos esforços pela paz" e se mostrou disposto a "que se respeitem determinadas áreas e instalações militares estatais" e do ELN para facilitar o diálogo.

O ELN disse lamentar pelos "mortos de ambos os lados" e lembrou que, no ano passado, dois de seus comandantes foram liquidados desarmados quando deveriam ter sido capturados.

A guerrilha pediu a Duque que envie sua delegação para retomar os diálogos em Havana, "para dar continuidade ao Processo de Paz e à construção dos acordos que trazemos desde o governo anterior”. O presidente, que assumiu mandato em agosto de 2018, enfatiza que a retomada dos diálogos só acontecerá se o ELN libertar todos os reféns sequestrados.

Com cerca de 1.800 combatentes e uma extensa rede de apoio nas cidades, o ELN opera em vários dos 32 departamentos da Colômbia. Surgida em 1964 sob o impulso de Che Guevara, esta organização reivindica uma política nacionalista e é, junto com dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e grupos de traficantes de droga de origem paramilitar, o principal desafio de segurança pública na Colômbia. / AFP

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