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Guerrilha tâmil anuncia fim dos combates no Sri Lanka

Conflito começou há 25 anos e foi encerrado após ofensiva do exército na região norte do país

Efe

17 de maio de 2009 | 12h50

A guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE) reconheceu neste domingo, 17, o fim dos combates no Sri Lanka após serem derrotados pelo exército cingalês. Os militares recusaram por várias vezes declarar uma trégua e os LTTE continuaram combatendo as tropas durante semanas, apesar da situação de fragilidade.

 

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"Esta batalha chegou a seu amargo final. Contra qualquer previsão, contivemos as forças cingalesas sem ajuda, exceto o apoio sem fim de nosso povo", disse, em comunicado, o chefe de relações internacionais da guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), S. Pathmanathan, após um violento confronto ocorrido no norte do país.

 

Pathmanathan estimou que, nas últimas 24 horas, 3 mil civis tâmeis morreram e outros 25 mil sofreram ferimentos e não dispõem de atendimento médico. "Não aguentamos mais ver o derramamento de sangue de nosso povo", disse, lamentando que as potências estrangeiras tenham feito pouco caso das chamadas para deter o "massacre".

 

Neste domingo o Exército cingalês disse ter "resgatado" em três dias os 50 mil civis que os LTTE mantiam como "reféns" em uma pequena faixa de território no distrito nortista de Mullaitivu, apesar de, pouco antes, ter estimado um número máximo de 20 mil civis.

 

O exército havia iniciado há poucos dias uma ofensiva contra os LTTE - que classificou como "operação de resgate" -, e o combate prosseguiu apesar da pressão internacional por uma trégua que salvasse a vida dos civis. O presidente cingalês, Mahinda Rajapaksa, proclamou que os LTTE foram "derrotados militarmente" e na próxima terça-feira, 19, fará um discurso à nação.

 

A ofensiva coincide com a vitória eleitoral do Partido do Congresso na Índia, um dos poucos vizinhos com margem de manobra para influenciar nas decisões do governo cingalês. Mumbai lançou durante a campanha eleitoral mensagens para mostrar sua preocupação com os civis tâmeis - minoria étnica também presente no gigante asiático -, mas se manteve relativamente à margem do conflito.

 

Os LTTE, considerados "terroristas" pelos líderes do Partido do Congresso, assassinaram o ex-primeiro-ministro da Índia Rajiv Gandhi em 1991. O conflito no Sri Lanka começou há mais de 25 anos e o cessar-fogo formal entre 2002 e 2008 não serviu para que uma solução negociada fosse alcançada.

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