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Guerrilha tâmil e governo divergem sobre mortes de civis

Porta-voz da ONU em Colombo diz que 100 crianças morreram no "banho de sangue do último final de semana"

Agências internacionais,

11 de maio de 2009 | 04h11

A guerrilha tâmil denunciou nesta segunda-feira, 11, a morte de 3,2 mil civis desde o domingo, 10, em bombardeios do Exército do Sri Lanka. No entanto, o Ministério da Defesa assegura que são os rebeldes que realizam os ataques.

 

Mais de 100 crianças estavam entre a grande quantidade de civis tâmeis que morreram em um "banho de sangue" no Sri Lanka, durante o último final de semana, alerta o porta-voz da ONU em Colombo, Gordon Weiss.

 

O portal Tamilnet, que apoia os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), afirma que "estão subindo as baixas civis, sem remédios nem alimentos devido às provisões limitadas ou negadas (pelo governo) na área de sete quilômetros quadrados".

 

O Ministério de Defesa cingalês negou em comunicado as acusações da guerrilha e afirmou que, na realidade, é o próprio LTTE que ataca os civis na área sob seu controle para propiciar uma intervenção internacional.

 

O chefe da Organização para a Reabilitação dos Tâmeis (TRO) - também ligada à guerrilha -, Lawrence Christy, disse que mais de 3,2 mil morreram desde o domingo à tarde e pediu uma intervenção internacional para deter o "genocídio".

 

Estimativas das Nações Unidas contabilizam 6.500 civis mortos e 14 mil feridos entre final de janeiro e meados de abril, durante a ofensiva final do exército contra a insurreição separatista.

 

Segundo o Tamilnet, o Exército cingalês utilizou canhões, metralhadoras do calibre 50, artilharia e morteiros durante os bombardeios, apesar do governo ter ordenado em 27 de abril ao Exército que pusesse um fim no uso de armas pesadas e da aviação.

 

Os bombardeios acontecem nas áreas de Mullivaaykaal e Vadduvaakal, os únicos enclaves que estão nas mãos dos rebeldes.

 

Em quatro meses, a ONU diz acreditar que cerca de 200 mil pessoas fugiram dos combates e se encontram em campos do norte da ilha, onde se limita ao máximo o acesso da imprensa.

 

Depois de 37 anos de guerra, o governo do Sri Lanka está convencido de haver derrotado a re

belião mais temida e melhor organizada no mundo, que controlava um terço dos 65 mil km2 do país que já foi chamado de Ceilão, com 20 milhões de habitantes.

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