Guerrilha virtual amadora abre nova era na rede

Os ataques a sites por defensores do WikiLeaks mostram que a guerra virtual do século 21 evoluiu, tornando-se mais amadora e anárquica do que muitos previam. Nos últimos anos, vários países passaram a injetar consideráveis recursos na segurança virtual, de olho, sobretudo, na ameaça de grupos como a Al-Qaeda ou Estados inimigos. Mas as tentativas de silenciar o WikiLeaks, após o vazamento dos 250 mil telegramas da diplomacia americana, resultaram em algo bem distinto desse cenário: uma espécie de rebelião popular entre as centenas de milhares de ativistas especializados no campo tecnológico.

Análise: Peter Apps,

11 de dezembro de 2010 | 05h26

"A primeira guerra informatizada séria foi iniciada", disse John Perry Barlow, fundador da Eletronic Frontier Foundation e letrista da banda Grateful Dead, aos seus seguidores no Twitter. "O campo de batalha é o WikiLeals. E vocês, os soldados."

Um grupo que se denomina Anonymous colocou a frase de Perry no site intitulado "Operação para vingar Assange", referindo-se ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange. O grupo usou o Twitter para coordenar os ataques a websites de entidades que estariam tentando silenciar o WikiLeaks. Foram alvos dessas ações o Mastercard, Visa e um banco suíço - todos haviam bloqueado pagamentos ao WikiLeaks, aparentemente sob pressão dos EUA. As páginas do governo e da promotoria da Suécia, que pediram a extradição de Assange por crimes sexuais, também foram atacados. Alguns defensores do WikiLeaks dizem que as acusações têm motivação política.

"O gênio saiu da garrafa e pode ser muito difícil colocá-lo nela novamente", disse Jonathan Wood, analista da Global Risks. "Em países como China e Irã, eles conseguem contornar a situação fechando sites por um tempo. Mas ninguém acha que isso será politicamente possível no Ocidente." Os ataques surpreenderam o próprio roqueiro Barlow, cuja "declaração de independência do espaço virtual" vem sendo compartilhada pelos partidários do Anonymus. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É REPÓRTER DA ‘REUTERS’

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