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Guerrilheira holandesa negociará pelas Farc

Há dez anos na selva, jovem de 34 anos ficou conhecida após criticar promiscuidade de líderes do grupo.

Arturo Wallace, BBC

17 de outubro de 2012 | 05h24

Texto atualizado às 11h00

BOGOTÁ - É a guerrilheira de quem todos estão falando: uma jovem holandesa que entrou nas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) faz dez anos e agora participará das negociações de paz que pode encerrar quase meio século de conflito armado.

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Seu nome de batismo é Tanja Nijmeijer, mas entre os guerrilheiros ela é conhecida como "Eileen", "Alexandra" ou "Holanda".

Especula-se inclusive que a inesperada inclusão de Tanja na equipe de negociação das Farc seja uma das razões pelas quais o início do diálogo atrasou. As negociações não devem mais começar nesta quarta-feira em Oslo, na Noruega, como estava previsto, mas, sim, no dia seguinte.

Tudo parece indicar que a jovem de 34 anos somente se integraria à equipe negociadora na segunda fase das conversações, marcada para a capital cubana, Havana. E isso significa que ainda estaria nas selvas colombianas, onde Tanja entrou pela primeira vez no fim de 2002.

"Estudei cultura e idiomas latinos na universidade de Groningen. E como parte do meu curso, tinha de fazer uma parte prática na Colômbia (em 1998)", contou Tanja anos depois durante uma entrevista à rádio Netherlands Worldwide.

"Passei um ano na Colômbia, mas nunca pensei em viver lá ou em me unir aos guerrilheiros. Mas quando voltei à Holanda e comecei a trabalhar como ativista política, percebi que a revolução nunca iria acontecer na Holanda. Ela estava acontecendo na Colômbia. E por isso resolvi voltar (em 2002)."

Diário na selva

Ela contou ainda que começou como miliciana em Bogotá por seis meses e depois foi fazer um curso na selva. "Lá me dei conta que a guerrilha não era como pintava a mídia."

Sua presença nas Farc ficou mais conhecida em 2007, quando o Exército tornou público parte de seu diário, encontrado após um ataque a um acampamento guerrilheiro.

Nele, a holandesa criticava duramente a promiscuidade sexual dos guerrilheiros e o comportamento egoísta de alguns comandantes. "Como será quando tomarmos o poder? As mulheres dos comandantes em Ferraris, com implantes nos seios e comendo caviar?", diz um dos trechos.

Segundo o analista Leon Valencia, co-autor de um livro sobre a vida de Tanja, isso fez com que ela quase fosse fuzilada.

"(A publicação) teve um efeito demolidor para a imagem de Tanja dentro do comando das Farc e desatou uma onda de pressões por parte de alguns guerrilheiros, que decretaram sua pena de morte", conta Valencia em Tanja, uma holandesa nas Farc.

Guerrilheira até morrer?

Segundo o autor, ela foi resgatada pelo comandante guerrilheiro Raúl Reyes, que acreditava que Tanja podia ser útil para melhorar a imagem das Farc na Europa e atrair outros combatentes de lá.

O especialista diz que ela foi subindo de posto rapidamente dentro da guerrilha e não parece deixar dúvidas sobre sua fidelidade aos rebeldes. "Sou guerrilheira das Farc e seguirei sendo até vencer ou morrer. Isso não tem volta", disse Tanja na época da entrevista. Agora, porém, como negociadora, parece que sua missão não será trabalhar para tomar o poder, mas sim para alcançar a paz.

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