Guerrilheiro acusa Bogotá de não pagar recompensa

O guerrilheiro Pedro Pablo Montoya - que desertou das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em março, depois de assassinar o líder rebelde Iván Ríos - disse ontem que está há nove dias em greve de fome para protestar contra a quebra da promessa do governo de lhe dar uma recompensa em dinheiro por trair a guerrilha. Há alguns meses, autoridades colombianas prometeram pagar ao guerrilheiro US$ 1,2 milhão. O compromisso causou polêmica, mas na época o caso de Montoya - também conhecido como "Rojas" - foi usado pelo governo como uma prova de que todos os guerrilheiros que traíssem as Farc entregando seus comandantes ou reféns do grupo seriam de fato recompensados. O governo colombiano assegurou ontem que pagou "totalmente" a recompensa a Ríos e a outras duas pessoas que se entregaram com ele. Ríos era um dos sete integrantes da cúpula das Farc e estava à frente de uma unidade da guerrilha que operava no noroeste do país. Depois de assassinar o comandante com a ajuda da namorada, Rojas ainda cortou a mão de Ríos e a entregou a policiais colombianos como prova de sua morte. Da prisão, Rojas pediu que o governo protegesse sua família e denunciou um suposto plano das Farc para assassiná-lo. Segundo ele, um rebelde conhecido como "Biscoito" já teria recebido dinheiro do grupo para matá-lo. ATENTADOAinda ontem, o governo colombiano acusou Iván Cárdenas Carrillo, também conhecido como "Nariz", de ser o mentor do atentado que matou 4 pessoas e deixou 26 feridos na segunda-feira na frente do Palácio da Justiça da cidade de Cali. "Nariz" é o líder da Frente Manuel Cepeda Vargas das Farc."Com esses atos, as Farc querem demonstrar que continuam vivas", afirmou o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. Uma das hipóteses é a de que a ação tenha sido uma retaliação das Farc pela captura do filho de Juan Carlos Usuga, terceiro na linha de comando da frente.Em Roma, a ex-refém das Farc Ingrid Betancourt pediu à comunidade internacional empenho na luta pela libertação daqueles que ainda estão em poder da guerrilha. Ingrid reuniu-se com o chanceler italiano, Franco Frattini, para agradecer ao país pelos esforços para a sua libertação. Ela conclamou a guerrilha a "abandonar o terrorismo" para buscar legitimidade política. "Peço a Deus que os comandantes das Farc entendam que o mundo está esperando que eles atuem de outra maneira", disse Ingrid.

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