Guerrilheiros curdos anunciam fim de ataques na Turquia

Exército ampliou ofensiva contra rebeldes em abril, e planejava invadir o norte do Iraque; conflito, que se estende desde 1984, já matou milhares de pessoas

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

O grupo guerrilheiro Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, por suas iniciais em curdo) anunciou nesta terça-feira, 12, que não promoverá mais ataques contra alvos turcos, mas reservou-se o direito de se defender quando for atacado, informou uma agência de notícias ligada à causa curda com sede na Bélgica."Nós não promoveremos nenhum ataque que não consista em autodefesa", informou o PKK, citado pela agência de notícias Firat.O Exército da Turquia ampliou uma ofensiva contra os rebeldes no sudeste do país em abril, onde os guerrilheiros do PKK lutam por autonomia desde 1984. O conflito já deixou dezenas de milhares de mortos.A declaração do partido surge no mesmo dia em que o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, condenou os recentes massacres cometidos na Turquia.Nas últimas semanas aumentou a preocupação com o envio de mais soldados turcos para a fronteira com o norte do Iraque, onde os rebeldes curdos mantêm bases.No comunicado atribuído ao PKK, os rebeldes também pedem ao governo turco que suspenda as ações militares contra os curdos. "Se o governo quiser reduzir a tensão e promover eleições num ambiente mais seguro, a única forma é com a suspensão dos ataques por parte do Exército."As eleições gerais na Turquia estão previstas para ocorrer em julho. No passado, a Turquia ignorou as tréguas unilaterais declaradas pelo PKK. Ancara recusa-se a negociar com os guerrilheiros curdos e os qualifica como "terroristas".De Hoop Scheffer expressou sua forte condenação ao "terrorismo do PKK", depois de se reunir com o ministro de Exteriores turco, Abdullah Gül, em sua visita oficial para buscar uma solução à disputa entre Turquia e a União Européia (UE) sobre a participação de policiais greco-cipriotas nas forças de paz no Kosovo.Afirmou que a Otan não estava envolvida diretamente nas questões do norte do Iraque, região que, segundo Ancara, é utilizado como esconderijo pelo partido ilegal de curdos separatistas. "No entanto, estamos conscientes de que o assassinato de pessoas inocentes causa grande sofrimento na Turquia", acrescentou.Turquia na Otan"A Turquia é um país muito importante na Otan. Contribui para as operações no Afeganistão e em outros países. É também um país ponte", disse De Hoop Scheffer, em entrevista coletiva, onde disse que nenhum membro da Aliança Atlântica concede o mais mínimo apoio ao PKK.De Hoop Scheffer também defendeu continuar dialogando, para encontrar "soluções construtivas" a vários temas de segurança que opõem UE e Turquia. "Discutimos sobre o Kosovo e as relações Turquia-UE. Continuaremos falando para encontrar soluções construtivas", disse.Um dos pontos principais na agenda da visita oficial de De Hoop Scheffer é o boicote da Turquia à transferência da responsabilidade da Otan nas forças de paz no Kosovo e a uma missão policial da União Européia (UE).A UE deve posicionar nessa província uma missão policial e de apoio ao Estado de direito - de apoio à Justiça e instituições -, integrada por cerca de 1.500 efetivos.De Hoop Scheffer se reunirá com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, com o comandante-em-chefe ds forças armadas, Yasar Büyükanit, e com o ministro da Defesa, Vecdi Gonul, antes de concluir sua visita na noite desta terça.Matéria ampliada às 11h09 para acréscimo de informações

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