REUTERS/John Vizcaino
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Guerrilheiros das Farc que não aderirem ao acordo ‘sentirão peso da lei’, diz negociador colombiano

Alto Comissariado para a Paz, Sergio Jaramillo, afirmou que o processo visa ‘construir uma paz estável e duradoura’ e não se resume apenas à entrega das armas pela guerrilha

O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2016 | 15h22

BOGOTÁ - Os integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que não aderirem ao acordo de paz serão combatidos com firmeza pelo Estado, garantiu na quarta-feira o Alto Comissariado para a Paz, Sergio Jaramillo, que lhes advertiu que não devem alistar-se em outros grupos armados ilegais.

Jaramillo visitou a cidade de Vistahermosa, no departamento de Meta, para explicar o acordo assinado na segunda-feira em Cartagena pelo governo e o grupo rebelde aos moradores da região, de forte presença das Farc, que têm nos milicianos uma importante base de apoio.

"O acordo abriu uma porta para que vocês possam ter segurança jurídica e apoios para reintegrar-se à vida civil. Não pensem agora que podem baixar a cabeça, ficar como submarinos e ir trabalhar com outros", destacou Jaramillo. "O miliciano que não aderir ao processo de paz sentirá o peso da lei. Não se equivoquem", acrescentou.

Vistahermosa foi um dos cinco municípios da zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros na qual o governo e as Farc tentaram negociar sem sucesso um acordo de paz durante a presidência de Andrés Pastrana (1998-2002).

Por ser uma região onde tradicionalmente operaram as Farc, será também palco de uma das 20 Zonas de Vereda Transitórias de Normalização (ZVTN), onde se reunirão os guerrilheiros como passo prévio para entregar as armas e se desmobilizar.

Jaramillo disse ainda à comunidade que "este é um processo para terminar o conflito e construir uma paz estável e duradoura, não simplesmente para que as Farc entreguem suas armas".

Além disso, ele assegurou que o Estado fará grandes investimentos no campo "especialmente nas zonas mais afetadas pelo conflito, como Vistahermosa".

Prêmio. O acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc é visto como forte candidato ao Prêmio Nobel da Paz, o que faria a premiação voltar às origens depois de uma série de vitórias de organizações, incluindo a União Europeia.

O prêmio seria dividido entre o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder da guerrilha, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”.

"O acordo é um dos candidatos mais óbvios ao prêmio da paz que já vi", disse Asle Sveen, historiador que monitora a premiação. Apesar disso, ele disse que a concessão pode depender da vitória do "sim" no referendo.

Seria o primeiro prêmio para a América Latina desde que a ativista de direitos humanos guatemalteca Rigoberta Menchú o recebeu em 1992.

Outros candidatos ao prêmio de 8 milhões de coroas suecas (934 mil dólares) são Svetlana Gannushkina, ativista russa de direitos humanos e refugiados, os Capacetes Brancos da Síria, grupo civil que se empenha em resgatar vítimas de ataques aéreos, e os moradores de ilhas gregas que vêm acudindo refugiados sírios.

Veja abaixo: Santos e Timochenko assinam histórico acordo de paz

Entre os outros possíveis indicados estão os negociadores do acordo nuclear com o Irã e o ex-técnico de computação americano Edward Snowden, que vazou divulgou detalhes sobre programas de vigilância dos EUA. /EFE e REUTERS

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