Solomon R. Guggenheim Foundation/©
Solomon R. Guggenheim Foundation/©

Museu oferece privada de ouro a Trump, em vez de quadro de Van Gogh

O presidente americano pediu emprestado ao Guggenheim de Nova York o quadro Paisagem com Neve, do pintor holandês, mas curadora ofereceu uma privada de ouro usada pelo público, obra do artista italiano Maurizio Cattelan

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 20h41

Uma privada de ouro 18 quilates usada pelo público do Museu Guggenheim, em Nova York, no lugar de um quadro de 1888 do pintor holandês Vincent Van Gogh, Paisagem com Neve, uma delicada pintura de um homem com chapéu preto caminhando por Arles, na França, com seu cachorro. Essa foi a troca que a curadora do Guggenheim, Nancy Spector, sugeriu ao presidente americano Donald Trump.

+ Donald Trump ameaça cortar ajuda dos EUA para palestinos

No fim do ano passado, Trump pediu emprestado ao museu nova-iorquino o quadro de Van Gogh para adornar os seus aposentos na Casa Branca. A resposta ao pedido, enviada por e-mail à Casa Branca, foi polida, mas firme: a obra de Van Gogh é “expressamente proibida de viajar, exceto em raras ocasiões”, estava a caminho de ser exibida em Bilbao, na Espanha, e retornaria a Nova York.

"Felizmente”, escreveu Spector, “America, de Maurizio Cattelan, está disponível depois de ter sido instalada em um dos nossos banheiros públicos para que todos usassem, em um maravilhoso ato de generosidade”. America é o nome da privada de ouro 18 quilates com valor aproximado de US$ 1 milhão, escultura do polêmico artista italiano Maurizio Cattelan, conhecido por trabalhos satíricos e irônicos, como uma escultura de criança em forma de Hitler ajoelhado, e do papa João Paulo II caído, atingido por um meteoro. 

A escultura de Cattelan foi concebida antes de Trump se candidatar à presidência, mas em uma entrevista de 2016 Cattelan disse que o tema “provavelmente estava no ar”. Ele também afirmou que ao criar a escultura tinha em mente “a riqueza que permeia todos os aspectos” da sociedade americana. “Tudo o que você come, um almoço de US$ 200 ou um hot dog de US$ 2, tem o mesmo destino, o banheiro”, disse.

É comum que presidentes e primeiras-damas dos EUA peçam obras de arte renomadas para decorar o Salão Oval ou as salas e quartos da Casa Branca. Em 1961, o Instituto Smithsonian emprestou aos Kennedys a pintura The Smoker, de Eugene Delacroix. Os Obamas preferiam arte abstrata, e pegaram emprestadas obras de Mark Rothko e Jasper Johns. Rejeições aos pedidos são raras. 

+ Trump defende negociação sobre 'sonhadores' após reabertura do governo

A curadora do Guggenheim, Nancy Spector, é uma crítica de Trump. “Este deve ser o primeiro dia da nossa revolução para retornar ao nosso amado país de ódio, racismo e intolerância”, escreveu com ironia Spector em sua conta no Instagram, um dia depois da eleição de Trump. Em agosto, Spector escreveu que a gestão de Trump tinha sido “marcada por escândalos e definida pela reversão deliberada de inúmeras liberdades civis”.

No e-mail que enviou à Casa Branca, em resposta ao pedido, Spector escreveu: “Lamentamos não poder atender a sua solicitação original, mas continuo esperançosa de que esta oferta especial possa ser de seu interesse”. Apesar do notório fascínio de Trump por objetos de ouro, que adornam suas casas e até mesmo seu avião oficial, não se sabe se Trump aceitará a oferta. A Casa Branca não quis comentar o episódio. / W.POST

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.