Ritzau Scanpix/Magnus Kristensen/Reuters
Ritzau Scanpix/Magnus Kristensen/Reuters

Guia: como a disputa no Ártico com Rússia e China motiva interesse dos EUA na Groenlândia

Investimentos chineses e atividade militar russa fazem Washington tentar projetar maior influência na região

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 12h25

O Wall Street Journal publicou na quinta-feira, 15, que o presidente americano, Donald Trump, consultou assessores sobre a possibilidade de os Estados Unidos comprarem a Groenlândia da Dinamarca. A ideia, aparentemente inusitada, tem como plano de fundo uma disputa geopolítica cada vez mais tensa: a luta pelo controle estratégico do Ártico e suas reservas naturais travada entre EUA, Rússia e China

A Groenlândia tem 57 mil habitantes, com um razoável grau de autonomia, apesar de pertencer ao Reino da Dinamarca. Com o aquecimento global, o derretimento de geleiras poderia facilitar a exploração das reservas de petróleo e gás da ilha, estimadas em 52 bilhões de barris. 

Além disso, a Groenlândia tem um interesse estratégico para os Estados Unidos, em consequência de sua localização entre o Ártico e o Atlântico, onde a China tem ampliado sua influência econômica e a Rússia tem expandido sua atividade militar.

 Após a 2ª Guerra, o presidente Harry Truman tentou, sem sucesso, comprar o território. Com o fim da Guerra Fria, o interesse geopolítico na região diminuiu, mas desde a crise de 2008 a região voltou a ganhar importância. Trump deve visitar a Dinamarca no mês que vem.

EUA temem influência chinesa e russa no Ártico

Em maio, o secretário de Estado Mike Pompeo alertou para  essa disputa. “Estamos entrando numa era de engajamento estratégica no Ártico, com ameaças para  seus ativos e nossos interesses na região.

Recentemente, o governo americano expressou preocupação com o financiamento chinês de alguns projetos na Groenlândia.

Para o analista Damien Degeorges, um consultor com base na Islândia especializado em assuntos nórdicos, o interesse em si não é negativo. “Isso deve ser lido como um alerta ‘vamos fazer isso antes que os chineses o façam”, disse. “O que a Groenlândia precisa é de investimentos. “Eu não levaria essa proposta à risca.” 

Nos últimos anos, a estratégia americana para a Groenlândia tem sido ampliar a presença militar estratégica sem se envolver diretamente na relação da ilha com a Dinamarca, apoiando discretamente um movimento independentista. 

Estratégia pode ser arriscada

A mudança dessa estratégia para a compra do território, a exemplo do que os Estados Unidos fez no século 19 com o Alasca e o Texas, é arriscada, segundo analistas.

“Os groenlandeses se veem como um povo independente”, diz Mikkel Vedby Rasmussen, ex-conselheiro do Ministério da Defesa da Dinamarca. “Um status como o de Porto Rico não interessa a eles.”

A questão, diz o analista, é saber se o desejo de Trump implicará uma mudança na estratégia americana para a Groenlândia. “Tratar a Groenlândia como a compra de um terreno sem consultar seus habitantes é uma estratégia duvidosa”, disse. / WASHINGTON POST

 

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