Mauricio Dueñas Castañeda / EFE
Mauricio Dueñas Castañeda / EFE

Guia para entender as manifestações na Colômbia

Milhares de colombianos foram às ruas do país para expressar descontentamento com relação às políticas do presidente Iván Duque

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 11h21

Cerca de 250 mil colombianos tomaram as ruas do país no dia 21 de novembro durante uma greve organizada por sindicatos, grupos de estudantes e organizações indígenas. Foi o maior protesto do país nos últimos anos, seguido por marchas menores e saques que resultaram em mortes e levaram as autoridades a impor um toque de recolher pela primeira vez desde 1977.

Como os protestos começaram?

Os colombianos foram às ruas contra o governo de Iván Duque em um movimento organizado por sindicatos, estudantes, indígenas, ambientalistas e opositores, que convocaram uma greve nacional nas principais cidades do país.

Por que os colombianos estão protestando?

De forma geral, eles protestam contra as políticas econômicas do presidente conservador, além de sua política de segurança focada na luta contra o narcotráfico e sua tentativa de modificar o pacto de paz que levou ao desarmamento da antiga guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em 2016.

Para Entender

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Movimento foi iniciado por greve geral convocada por centrais sindicais

O movimento trabalhista rejeita as reformas do governo para tornar o mercado de trabalho mais flexível e mudar o sistema previdenciário. 

Os indígenas exigem proteção após o assassinato de 134 membros da comunidade desde que Duque assumiu a presidência, e os estudantes querem mais recursos para a educação pública.

Houve violência por parte das forças de segurança?

Grupos organizados realizaram bloqueios em diversos pontos, levando o caos aos transportes. Policiais usaram gás lacrimogêneo para tentar dispersar os manifestantes e liberar as vias. Bogotá e Cali registraram confrontos entre agentes e manifestantes. Empresas, universidades e faculdades chegaram a suspender suas atividades.

Diante dos tumultos, o prefeito de Cali, Maurice Armitage, decidiu decretar um toque de recolher durante a noite para evitar saques a estabelecimentos comerciais. Mesmo assim, vândalos invadiram alguns apartamentos para roubar.

Na sexta, o prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, decretou toque de recolher nas três regiões mais populosas da cidade - Bosa, Kennedy e Ciudad Bolívar - sob a justificativa de conter os saques de "vândalos".

Militares foram convocados?

Unidades militares foram encaminhadas à capital a pedido do gabinete do prefeito para proteger "instalações estratégicas". Outras cidades seguiram o mesmo caminho, o que causou a preocupação do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Durante o fim de semana de protestos foram observados dezenas de militares nas ruas do centro de Bogotá. Nas redes sociais, os ativistas denunciavam uma "militarização" para intimidar o protesto social.

Como Duque reagiu aos protestos?

O presidente reconheceu a legitimidade de algumas reivindicações dos manifestantes, mas reiterou que há em curso uma campanha com base em “mentiras” contra seu governo e que visa semear a violência.

No dia seguinte ao grande protesto, Duque ressaltou que estava disposto a ouvir os cidadãos, mas não deu sinais de mudanças e não comentou o longo panelaço realizado nos bairros de Bogotá e cidades vizinhas em razão do descontentamento com o governo.

Com relação aos episódios de vandalismo, o presidente disse que eles “não obedecem a uma expressão da vontade popular, nem serão legitimados pelo direito de protestar”.

Há mortos?

Três pessoas morreram na sexta durante confrontos com as forças de segurança no departamento de Valle del Cauca. Dois deles morreram em Buenaventura, onde está o principal porto do país, quando tentavam saquear um shopping. A terceira vítima morreu em Candelaria.

Uma comissão oficial foi enviada para a região para analisar os procedimentos dos militares nos confrontos.

No dia 25, uma quarta pessoa morreu: o jovem Dilan Cruz, estudante de 18 anos, foi atingido na cabeça por um tiro que teria sido disparado por agentes de segurança durante uma manifestação. O caso impactou a sociedade colombiana, dando início a um debate sobre o uso excessivo de força e se transformou em um símbolo para muitos jovens manifestantes.

O governo tentou manter a ordem no país ao prender 172 pessoas nos dois primeiros dias de mobilizações. Na segunda-feira, a agência migratória colombiana iniciou a deportação de 59 cidadãos venezuelanos que foram detidos por supostos “atos de vandalismo” durante os protestos.

Até o momento, as manifestações deixaram 4 mortos e cerca de 500 feridos. / Com agências internacionais

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