REUTERS/Marcos Brindicci
REUTERS/Marcos Brindicci

Guia para entender as prévias da eleição na Argentina

As primárias do país, realizadas no domingo, servem como termômetro para as Eleições nacionais, no dia 27 de outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 16h56

A surpreendente vitória do candidato kirchnerista à presidência da Argentina, Alberto Fernández, sobre o presidente Mauricio Macri, nas primárias eleitorais do país neste domingo, 11, deu início ao processo eleitoral argentino. Com as candidaturas definidas por consenso, as prévias no país se tornaram um termômetro da disputa presidencial. 

O resultado foi péssimo para reeleição de Macri, e muitos analistas acreditam que será irreversível. Entenda agora quais os próximos passos na eleição argentina:

O que são as prévias da eleição na Argentina?

 A cada quatro anos os argentinos decidem durante as prévias quem deve competir nas eleições nacionais. Tal evento se dá no mês de agosto após ter sido aprovado por lei em 2009. Eleições se darão no dia 27 de outubro. 

Em geral, dentro de um mesmo partido, com suas divisões políticos, diversas chapas eleitorais se apresentam. As primárias servem para eliminar as chapas dentro de um partido. Também serve para eliminar chapas nanicas: se uma chapa não obtiver mais de 1,5% dos votos, não poderá concorrer. 

Neste ano, nenhuma das nove alianças e partidos que participaram das primárias apresentou mais de uma chapa presidencial. Isso significa que não houve concorrência dentro de um mesmo arranjo político. O processo acabou servindo para mostrar a intenção de voto dos argentinos.

O que está em jogo nesta eleição argentina?

No pleito geral de 27 de outubro, os argentinos votarão para escolher presidente e vice-presidente para um mandato de quatro anos, que começará a valer em 10 de dezembro.

Além disso, será parcialmente renovada a composição do Congresso, onde atualmente os governistas não contam com maioria absoluta. Estão em jogo 130 cadeiras na Câmara de Deputados e 24 do Senado.

Ao longo deste ano ainda estão programadas eleições em quase todas as províncias argentinas para escolher governador, legisladores provinciais, prefeitos e representantes comunais.

Já foram disputadas eleições provinciais em vários distritos e, por enquanto, o peronismo levou a melhor em dez, enquanto os partidos provinciais venceram em outros três, e os governistas conseguiram apenas um triunfo - embora ainda não tenham entrado em disputa os cobiçados postos das províncias de Buenos Aires e Mendoza.

Em 27 de outubro, simultaneamente com as eleições nacionais, serão realizados pleitos provinciais em Buenos Aires, Catamarca e La Rioja e eleições para definir prefeito e legisladores locais da capital argentina. 

Quais temas devem dominar a eleição na Argentina?

A expectativa é de que a oposição jogue o foco desta campanha nos temas econômicos, questionando as políticas do governo de Macri nesta matéria. A Argentina atravessa uma recessão que começou em abril de 2018 com uma crise cambial que contagiou todos os setores da atividade econômica. 

A recessão, acompanhada de uma notável desvalorização da moeda argentina e altos índices de inflação, impactou negativamente no poder aquisitivo, no crédito, nos indicadores de emprego e no nível de pobreza.

Neste cenário, o governo aumentou seu nível de endividamento e recorreu no ano passado a uma milionária ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), um pacto que implica em um forte ajuste fiscal e que também é questionado pela oposição.

Do lado do governo, a previsão é de que a campanha insista nas medidas econômicas fracassadas do governo de Cristina Kirchner (2007-2015), às quais responsabiliza em parte pela atual crise, e em temas de transparência governamental, no momento em que a ex-presidente enfrenta várias processos na Justiça por supostas irregularidades durante sua gestão. 

O que acontece depois das prévias?

Após os resultados das primárias, a campanha para essas eleições começará em 7 de setembro. Para outubro estão marcados dois debates presidenciais, que pela primeira vez serão obrigatórios. 

As eleições gerais acontecerão em 27 de outubro, com um eventual segundo turno programado para 24 de novembro. Tanto nas primárias como nas eleições gerais, o voto na Argentina é obrigatório para os cidadãos maiores de 18 anos.

 Na última disputa para a presidência, em 2015, o nível de participação foi de 72% nas primárias e de 81% nas eleições gerais.

Qual a disputa principal na Argentina?

Enquanto o país vive momentos difíceis, dois candidatos polarizam a eleição. De um lado o atual presidente, Mauricio Macri, e do outro Alberto Fernández, tendo Cristina Fernández Kirchner, presidente entre 2003 e 2015, como sua vice-presidente.

Cristina responde a processos por corrupção na Justiça, e decidiu ser vice de Fernandez para manter o foro privilegiado como senadora.

A chapa de Alberto defende maior intervenção do Estado na economia, ao passo que Macri tem gerenciado sua política econômica com base em princípios liberais.

Fora da esfera presidencial, deputados e senadores terão seus nomes decididos nas primárias, sendo os senadores nacionais apenas votados na cidade de Buenos Aires, Chaco, Entre Ríos, Neuquén, Río Negro, Salta, Santiago del Estero e Tierra del Fuego.

Na cidade de Buenos Aires, serão eleitos o chefe do governo e legisladores locais. Já na província de Buenos Aires será votado o governador, deputados provinciais, prefeitos e vereadores. Já em Catamarca as eleições incluem o governador junto com deputados e senadores provinciais.

No total, a Argentina tem 32.064.323 eleitores aptos para votar. Os maiores colégios eleitorais são as províncias de Buenos Aires e Córdoba, tendo a primeira 11.867.979 eleitores e a segunda 2.783.122.

Pelas leis do país, o candidato a presidente vencedor deve somar pelos menos 45% dos votos ou ter 40% junto com uma diferença de 10 pontos do candidato em segundo lugar. Caso isso não ocorra, os candidatos vão para um segundo turno.

Quem são os principais candidatos?

Atualmente, os governistas são encabeçados pelo presidente Mauricio Macri, acompanhado do senador Miguel Ángel Pichetto para vice-presidente, representando a aliança Juntos por el Cambio.

A aliança Frente de Todos, da oposição, é liderada por Alberto Fernández e sua vice – Cristina Fernández de Kirchner. Alberto Fernández foi chefe de gabinete (2003-2008) de Cristina Kirchner quando esta era ainda presidente.

O Consenso Federal 2030 é outra das alianças políticas a participar das eleições. Liderada por Roberto Lavagna, ex-ministro de Néstor Kirchner, ela surgiu em 2018 da fusão das alianças peronistas Consenso 2019 e a Alternativa Federal. Lavagna tem como vice Juan Manuel Urtubey, atual governador de Salta. /EFE e AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.