Amir Cohen / Reuters
Amir Cohen / Reuters

Guia para entender os escândalos que ameaçam Netanyahu na liderança de Israel

Advogados do premiê serão interrogados por três casos que colocam o futuro do político de Bibi na corda bamba

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 08h29

JERUSALÉM - Os casos que ameaçam a permanência de Binyamin Netanyahu no cargo de primeiro-ministro de Israel vão desde recebimento de presentes caros até tentativas de subornar os responsáveis por certos meios de comunicação para conseguir uma cobertura favorável a seu governo.

Nesta quarta-feira, 2, o procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, interrogará os advogados de Netanyahu por três casos que colocam o futuro político do premiê na corda bamba. Após a audiência, Mandelblit decidirá de Netanyahu será acusado oficialmente de corrupção, fraude e abuso de confiança. Entenda abaixo cada uma das acusações.

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Caso 1000: Cigarros e champagne

Netanyahu e membros de sua família são suspeitos de terem recebido subornos de mais de 700 mil shekels (equivalente a US$ 200 mil) de várias pessoas, entre elas Arnon Milchan, um produtor israelense de Hollywood, e James Packer, um milionário australiano.

Os subornos ocorreram na forma de cigarros, garrafas de champagne e jóias, distribuídos entre 2007 e 2016, em troca de favores financeiros pessoais.

Netanyahu alega que a única coisa que fez foi aceitar presentes de seus amigos e que não pediu nada.

Caso 2000: Imprensa

A polícia suspeita que Netanyahu tentou chegar a um acordo com o dono do jornal Yediot Ahronot, Arnon Moses, para conseguir uma cobertura mais favorável. A publicação é acusada pelo premiê de ser contra ele.

Em troca, Netanyahu havia proposto a possibilidade de fazer votar uma lei que limitaria a distribuição do Israel Hayom, diário gratuito e principal concorrente do Yediot Ahronot, proibindo sua publicação aos fins de semana.

A polícia se baseia no testemunho de Ari Harow, ex-chefe de gabinete de Netanyahu, que aceitou testemunhar em troca de perdão caso fosse processado.

O premiê garante que era o principal opositor à lei em questão e que, inclusive, antecipou as eleições de 2015 para bloquear a medida.

Caso 4000: Bezeq

Este é considerado o caso mais perigoso para Netanyahu. Os investigadores suspeitam que o chefe de governo tentou garantir para si uma cobertura favorável no meio de comunicação digital Walla.

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Em troca, teria concedido favores que envolveriam milhões de dólares em benefícios a Shaul Elovitch, o então chefe do principal grupo de telecomunicação israelense Bezeq e do Walla.

No centro da investigação está a fusão, em 2015, entre o Bezeq e o provedor de televisão a cabo Yes, que precisaria do aval dos órgãos de controle, justo quando Netanyahu estava a frente do cargo de Comunicações.

Diante das acusações, o premiê alega que a fusão Bezeq-Yes foi validada pelos serviços do ministério e pelos órgãos de controle, e nega que o Walla fazia uma cobertura que o privilegiava.

Além de Netanyahu, o caso também envolve Elovitch e sua mulher, assim como a presidente do Bezeq na época. O procurador-geral decidiu encerrar o caso no que se refere a Sara e Yair Netanyahu, mulher e filho do primeiro-ministro.

Netanyahu já indicou que não renunciará se for acusado oficialmente. A lei não o obriga a deixar o cargo, mas se isso acontecer, ele será o primeiro chefe de governo israelense a viver uma situação semelhante. / AFP

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