Vincent Thian / AP
Vincent Thian / AP

Guia para entender os protestos em Hong Kong e o cancelamento de voos

Manifestantes ocupam as ruas do centro e os corredores do aeroporto internacional da cidade há mais de dois meses

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 08h40

As autoridades aeroportuárias de Hong Kong cancelaram todos os voos com desembarque previsto para a cidade por dois dias consecutivos em razão dos protestos, que já duram mais de dois meses. Entenda abaixo a situação no território.

O que está acontecendo em Hong Kong?

Os protestos pró-democracia começaram por causa de um polêmico projeto de lei que autorizaria extradições à China. Apesar de ter sido suspenso, as manifestações continuam e pedem a renúncia da chefe do Executivo local, Carrie Lam, além do abandono definitivo da proposta. 

Manifestações anteriores se concentraram nas principais ruas do centro, em áreas de compras e perto de prédios públicos, mas depois os ativistas passaram a ocupar os corredores do aeroporto internacional de Hong Kong. Esta é considerada a pior crise política do território desde 1997, quando ele foi devolvido pelo Reino Unido à China.

É seguro viajar para Hong Kong?

O comitê de turismo da cidade informou que ela é segura e está aberta aos turistas. Muitas atrações populares, incluindo o Ladies’ Market e o Peak Tram, não foram prejudicadas pelos protestos. Apesar disso, diversos governos aumentaram os alertas de segurança para Hong Kong nas últimas semanas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos, por exemplo, emitiu um alerta de nível 2 para o território e advertiu os americanos a “terem maior cautela em Hong Kong em razão da agitação civil”.

Já o governo da Austrália recomenda aos seus cidadãos que tenham cuidado ao viajar para a cidade e ressalta que os protestos no aeroporto se intensificaram, causando “ruptura significativa”. O consulado do país em Hong Kong enviou funcionários ao aeroporto para ajudar os turistas australianos.

Autoridades canadenses também pedem atenção aos seus cidadãos por causa das “manifestações em larga escala”.

Por que os protestos estão sendo realizados no aeroporto?

O aeroporto internacional de Hong Kong é um dos mais movimentados do mundo, com 220 destinos em todo o mundo e cerca de 1,1 mil voos diários. É um ponto de conexão crucial para viagens aéreas regionais e, somente em 2018, recebeu quase 75 milhões de passageiros.

Um pequeno grupo de manifestantes ficou no aeroporto na manhã de segunda-feira e a aglomeração foi aumentando ao longo do dia, chegando a invadir o saguão de desembarque. Muitos ativistas argumentam que o objetivo é fazer com que os turistas tenham conhecimento da situação do território.

Quais as companhias aéreas estão sendo afetadas?

Mais de 120 linhas aéreas com destino e saída do aeroporto de Hong Kong estão sendo prejudicadas pelos protestos, incluindo algumas das principais do mundo, como British Airways, American Airlines, United Airlines, Turkish Airlines, Lufthansa, Singapore Airlines e Cathay Pacific Airways.

O que acontece com quem chega ao território?

Um viajante disse à emissora americana CNN que após sair do avião em que estava levou quase uma hora para deixar a área de desembarque. Como o ponto de táxi do aeroporto estava fechado e os trens não chegavam ao local, ele deixou o terminal, caminhou até a rodovia próxima e pegou um táxi por lá. Outros turistas dormiram perto dos balcões de atendimento.

“Grupos de turistas estão dormindo e carregando seus celulares na área de check-in”, afirmou Katy Wong em sua conta no Twitter. “Não consigo ir para casa”, relatou outro viajante no Instagram.

Os voos continuarão a ser cancelados?

Para os turistas, a melhor forma de saber a situação dos voos é entrando em contato com a companhia aérea com a qual se está viajando. Algumas delas, como Air Canada, adotaram temporariamente uma política flexível para remarcar voos para clientes que quiserem alterar os planos de viagem para ou de Hong Kong. 

Outras, como a British Airways, oferecem a opção de remarcar a data do voo ou receber o dinheiro de volta. Se a pessoa conta com seguro de viagem, é importante verificar se ele cobre atrasos ou interrupções da natureza em questão. / NYT

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