Luca Bruno / AP
Luca Bruno / AP

Guia para entender por que Veneza está inundada

Águas tomaram conta de alguns dos principais pontos turísticos da cidade; veja como isso aconteceu

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2019 | 10h00

As inundações que tomaram conta de Veneza nos últimos dias elevaram o nível das águas ao segundo maior da história da cidade: 1,87 metro. Este número fica atrás apenas da cheia de 1966.

Quando o nível de água registrado fica acima de 1,40 m, o fenômeno é chamado de “acqua alta” (maré alta). Eventos deste tipo costumam ocorrer durante o inverno europeu, quando as chuvas chegam ao Mediterrâneo.

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O que levou às inundações de agora em Veneza?

A inundação mais recente em Veneza, que deixou diversos pontos turísticos completamente alagados, foi - em parte - resultado de uma forte tempestade que caiu sobre o Mar Tirreno (parte do Mar Mediterrâneo), causando fortes ventos na cidade.

Esses ventos sopram do sudeste da África em direção ao Mediterrâneo e ao Mar Adriático, que fica entre a Península Italiana e a Croácia.

O formato relativamente estreito e retangular do Adriático pode ampliar os efeitos desses ventos ao causar uma oscilação da água de um lado para outro. O movimento pode levar a um acúmulo dela no lado noroeste, onde Veneza está localizada.

Como os ventos podem conter o recuo do nível da água do noroeste do Mar Adriático, níveis muito altos podem ser atingidos em Veneza em comparação a outros locais do Mediterrâneo, simplesmente em razão de sua geografia.

Isso é comum de acontecer?

Níveis altos o suficiente para inundar a cidade eram relativamente raros, sendo registrados a cada duas ou três décadas. Agora, no entanto, eles acontecem com mais frequência, a cada cinco anos ou menos.

Dos 10 maiores níveis atingidos na história de Veneza, metade deles foram registrados nas duas últimas décadas, sendo alguns deles apenas em 2018.

E o que podemos esperar para os próximos anos?

Apesar de as tempestades serem claramente a principal causa desta recente inundação em particular, tais eventos estão se tornando mais destrutivos a cada ano, ao mesmo tempo em que os níveis do mar aumentam em razão do aquecimento global causado pelo homem.

No caso da cidade de Veneza - que foi construída a apenas poucos metros acima do nível do mar -, ela está afundando com o tempo, tornando o aumento do nível dos oceanos uma grande ameaça.

“Esse é um retrato do que irá acontecer na maioria das cidades costeiras no futuro”, afirma Michael Oppenheimer, um dos autores de um recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e professor da Universidade de Princeton.

Ele ressalta que enquanto as inundações em Veneza ocorrem em razão de uma combinação de sedimentação aliada ao aumento do nível dos oceanos, outras cidades costeiras enfrentarão danos e inundações constantes até 2050. 

Há algo que se possa fazer para frear essa situação?

Diferente da maioria das cidades do mundo, que ainda não decidiram como combater os efeitos do aumento do nível do mar, Veneza trabalha em um projeto multimilionário para conter as inundações e preservar a cidade. 

Conhecido como Mose, ele consiste em um grande sistema de comportas embaixo da água. Contudo, o projeto se vê envolvido em escândalos de corrupção e ainda está incompleto. Ou seja, a cidade permanece completamente exposta.

Mesmo se for instalado, o Mose pode não conseguir impedir a cidade de sucumbir ao aumento do nível do mar e às inundações relacionadas às tempestades. / W.POST

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