Ahmad Al-Rubaye/AFP
Ahmad Al-Rubaye/AFP

Guia visual para entender a crise entre Irã e Estados Unidos

Desde o ataque um navio petroleiro em junho de 2019, país do Oriente Médio e Estados Unidos vivem escalada de tensão

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2020 | 12h13

A relação entre Estados Unidos e Irã, que vive um de seus piores momentos, começou a piorar em junho do ano passado, após uma série de sanções dos americanos, ataques a navios petroleiros no Estreito de Ormuz, a principal rota de escoamento de petróleo do planeta, e ataques à maior refinaria de petróleo do mundo.

Essa escalada culminou com a morte do principal militar iraniano, o general Qassim Suleimani, no último dia 2 de janeiro, em Bagdá, no Iraque. 

Veja, abaixo, um passo a passo da escalada de tensão na região: 

13 de junho de 2019 - Ataque a petroleiros no Estreito de Ormuz

Dois navios petroleiros foram atacados no Golfo de Omã, com explosões que obrigaram as tripulações a abandonarem as embarcações. O ataque, perto Estreito de Ormuz, área estratégica por onde passa um quinto de todo o transporte de petróleo do mundo, ocorreu um mês após incidentes similares acontecerem na região.

O Estreito de Ormuz dá passagem a navios petroleiros vindos do Iraque, da Arábia Saudita, do Irã, do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos, de Omã, do Kwait e do Bahrain - todos importantes no comércio global de petróleo. 

20 de junho de 2019 - Irã derruba drone americano 

Dias depois, o Irã abateu um drone de vigilância dos Estados UnidosAutoridades iranianas disseram que o drone estava sobre o Irã, o que os militares americanos negaram - uma importante distinção para determinar quem está com a razão - e cada lado acusou o outro de ser o agressor. 

1 de julho de 2019 - Irã ultrapassa limite de urânio enriquecido estipulado em acordo nuclear

O governo iraniano anunciou que ultrapassou o estoque permitido de urânio enriquecido no país, o que configurou uma quebra no acordo nuclear de 2015. Desde a saída dos Estados Unidos do acordo, em 2018, as relações entre os dois países se fragilizaram. 

14 de setembro de 2019 - Ataque atinge maior refinaria do mundo na Arábia Saudita

Um ataque de drones atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo na Arábia Saudita em 14 de setembroDe acordo com o Ministério do Interior saudita, além da instalação, um campo de petróleo em atividade também foi atingido. O grupo rebelde Houthis, do Iêmen, aliado ao governo do Irã, reivindicou a autoria do ataque, informando que dez drones atingiram as instalações. Já havia a suspeita de que o grupo seria o responsável.

27 de dezembro - Ataque deixa um americano morto

No fim de dezembro, mais de 30 foguetes foram lançados contra uma base militar iraquiana perto de Kirkuk, ao norte do Iraque. No ataque, um empreiteiro americano foi morto, e outros quatro americanos e dois soldados iraquianos ficaram feridos. 

29 de dezembro: Bombardeios dos EUA matam 25

O contra-ataque veio dois dias depois da morte do empreiteiro americano. O Exército dos EUA conduziu bombardeios aéreos contra locais estratégicos associados ao Kataib Hezbollah no Iraque. Na ação, 25 pessoas morreram e 51 ficaram feridas. Foi a primeira vez que os EUA agiram com força contra um grupo xiita no Iraque desde o retorno das forças americanas à região, em 2014. 

31 de dezembro: Embaixada americana é invadida

Em protesto contra os ataques que mataram 25 pessoas no Iraque, manifestantes invadiram a área da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá. O grupo não chegou a entrar no prédio, mas milhares de pessoas se juntaram durante a invasão – muitos deles membros de grupos de combate tecnicamente vigiados pelo Exército iraquiano. Trump acusou o Irã de “orquestrar” o ato. 

02 de janeiro de 2020 - A morte de Suleimani

O general Qassim Suleimani, o principal militar iraniano, foi morto em um bombardeio no aeroporto de Bagdá. Ele era considerado terrorista pelos Estados Unidos e Israel. Depois da ação, a embaixada do país em Bagdá pediu a todos os cidadãos americanos que estão no Iraque para que saiam imediatamente do país. Em declaração oficial, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, classificou o bombardeio como "um ato de terrorismo de Estado" e uma "violação à soberania" do país. 

7 de janeiro de 2020 - Irã ataca bases de americanos no Iraque 

Duas bases com militares americanos no Iraque foram atingidas por uma série de mísseis balísticos. A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou a autoria do ataque. O Pentágono confirmou que os disparos partiram do Irã e pelo menos seis atingiram as instalações militares com forças americanas. Não houve registro imediato de mortos e feridos. 

8 de janeiro de 2020 - Discurso de Trump ameniza tensão 

Um dia após os ataques, Donald Trump afirmou que nenhum americano foi ameaçado pelos bombardeios e prometeu “sanções poderosas”. Ele também disse que o regime iraniano parece estar “se acalmando”. “O que é uma coisa boa para todos os envolvidos e uma coisa boa para o mundo.” 

8 de janeiro de 2020 - Queda de avião deixa 176 mortos 

Um avião ucraniano com 176 passageiros caiu após sair de Teerã e as causas continuam incertas. Autoridades americanas, canadenses e britânicas disseram que o avião foi abatido por engano por um foguete do Irã. Já o Irã rejeitarou o que chamou de “rumores ilógicos” sobre a queda do Boeing.

“Vários voos nacionais e internacionais estavam no espaço aéreo iraniano ao mesmo tempo à mesma altura de 8 mil pés. Essa história do ataque com mísseis no avião não pode estar correta”, afirmou o Ministério da Transporte do Irã, em comunicado.  “É cientificamente impossível que um míssil tenha atingido o avião”, disse Ali Abedzadeh, chefe da agência de aviação civil do Irã.

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