Jody Amiet/AFP
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Guiana Francesa rechaça apoio da França e pede contrapartida de 2,5 bi de euros

Governo francês havia anunciado ajuda escalonada por dez anos de 1 bilhão de euros; grevistas exigem repasse imediato dos recursos

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2017 | 04h33

CAIENA - Os setores em greve na Guiana Francesa, paralisados há mais de dez dias, rechaçaram no final da noite deste domingo, 2, um pacote de ajuda de 1 bilhão de euros do governo francês e pediram em troca o imediato envio de 2,5 bilhões de euros.

"Pedimos 2,5 bilhões de euros de imediato", disse Olivier Goudet, um dos porta-vozes do movimento grevista. A fala foi dita após uma reunião com a ministra de Ultramar da França, Ericka Bareigts, a quem a delegação pediu um "estatuto especial" para o território.

A menos de três semanas do primeiro turno da eleição presidencial francesa, a ministra pediu que os grevistas cheguem a um acordo com o governo.

"Ela (Ericka) atua como se não soubesse que temos 50 anos de atraso, que estamos sofrendo, que vemos aumentar a pobreza em nosso país", disse Goudet, que prometeu seguir com a paralisação nesta segunda-feira, 3. "Amanhã (segunda-feira), tudo permanecerá fechado."

No sábado, 1º, o governo francês propôs uma ajuda de 1,085 milhão de euros para "medidas de emergência", porém haveria um escalonamento de 10 anos. "A proposta responde às preocupações prioritárias expressadas pelas diferentes partes, em particular no que concerne a educação, seguridade, saúde e contratações públicas", disse Goudet à agência France-Presse.

O movimento pede ainda uma maior independência da Guiana e a formulação de um novo modelo de governo. "Com outro sistema, poderíamos decidir por nossa conta e risco o que é melhor para nós em vez de pedir permissão para o que quer que seja a Paris", disse.

Os grevistas anunciaram ainda para terça-feira, 4, uma manifestação em Kourou, próxima da plataforma de lançamento de foguetes. A empresa que administra a base se viu obrigada a adiar o lançamento de um satélite chamado Ariane 5, construído pelo Brasil e pela Coreia do Norte. / AFP

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