''Guinada para o centro mudou a imagem do presidente de excessivamente liberal''

Bruce Cain, PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

A guinada para o centro e o discurso em Tucson, no Arizona, depois de atentado do dia 8 que matou 6 pessoas e feriu outras 13 - entre elas a deputada democrata Gabrielle Giffords -, contribuíram para a melhora na imagem do presidente Barack Obama, com a popularidade voltando a ultrapassar a barreira dos 50%. A avaliação é de Bruce Cain, professor de ciência política da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Segundo ele, Obama deve se manter no centro nos próximos dois anos, já que o Partido Democrata não controla mais a Câmara.

O crescimento da popularidade de Obama deve-se ao seu discurso depois do atentado no Arizona ou a melhora na imagem do presidente ocorreria de qualquer maneira?

Em parte o discurso foi responsável, mas há outros fatores. Acho que a guinada para o centro que o presidente deu em relação aos cortes nos impostos de (George W.) Bush ajudou a eliminar a percepção de que ele era excessivamente liberal (esquerda, nos EUA) em questões como a reforma do sistema de saúde. Também contribuíram para o aumento da popularidade as votações no Congresso depois da eleição. Mas realmente o discurso permitiu que ele se mostrasse como uma figura presidencial, especialmente quando comparado a Sarah Palin (política republicana). Foi considerado um de seus melhores discursos.

Obama deve, portanto, permanecer no centro nos próximos dois anos de seu governo?

Esta parece ser a tendência e isso é bem mais fácil quando o outro partido controla pelo menos uma das casas do Congresso. Se um partido controla a Câmara, o Senado e a presidência, a necessidade de compromisso se esvazia e o partido acaba nas mãos de sua base. Caso a oposição controle uma das casas, o presidente pode dizer a sua base que é necessário um compromisso, permitindo a caminhada pragmática para o centro. No entanto, os dois lados precisam estar dispostos. Se os republicanos não quiserem acordo, Obama pode ir para o centro e não ter nada em retorno. Isso é o que precisamos ver.

Por que assuntos econômicos, e não questões de política externa, têm dominado a agenda de Obama?

Enquanto a economia estiver nesta situação, com déficits elevados, a política externa será colocada em um segundo plano. Caso a economia melhore americana, a política externa voltará a ser prioridade.

A economia decidirá a eleição presidencial?

Será um fator importante. Se a taxa de desemprego diminuir e o PIB (Produto Interno Bruto) crescer, será uma situação parecida com a de (Ronald) Reagan em 1984 e (Bill) Clinton em 1996. Caso contrário, será (George H.) Bush em 1990 ou (Jimmy) Carter em 1980.

A estratégia republicana de ir contra Obama em tudo pode falhar como ocorreu durante o governo de Bill Clinton?

Depende de como os republicanos agirem. Se eles exagerarem, perdendo a batalha pela opinião pública e os eleitores independentes, como nos anos 90, repetirão a história. Mas se os republicanos escolherem as batalhas certas, podem ter bons resultados nas eleições de 2012.

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