Guiné-Bissau fecha espaço aéreo após golpe

Militares ameaçam frota portuguesa enviada por Lisboa para resgatar cidadãos que vivem no país africano

BISSAU, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h07

Militares golpistas da Guiné-Bissau fecharam ontem o espaço aéreo e marítimo do país, quatro dias após terem derrubado o governo. A medida é uma resposta ao envio de aviões e navios de guerra de Portugal à ex-colônia. Segundo Lisboa, o objetivo da missão é resgatar cidadãos portugueses presos no país africano. Os militares alertaram que as violações do espaço aéreo e marítimo receberão uma "resposta militar".

Em Portugal, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho garantiu que a única missão da força militar que se dirige à Guiné-Bissau é garantir a segurança dos 3,5 mil portugueses que vivem no país, caso uma retirada de emergência seja necessária. Passos Coelho aposta em um retorno rápido à legalidade. "É uma ação preventiva que tem por objetivo proteger os interesses dos cidadãos portugueses", disse.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental condenaram o golpe. Uma delegação do grupo africano teve sua entrada no país autorizada pelos militares. A entidade lusófona emitiu um comunicado no qual propôs sanções aos líderes golpistas e pediu a manutenção da ordem institucional.

Ainda ontem, o segundo colocado no primeiro turno das eleições no país, Kumba Yala, divulgou um comunicado no qual condenou o golpe. O anúncio foi feito em meio a especulações sobre quem estaria apoiando os golpistas, que prenderam o vencedor do primeiro turno, o premiê Carlos Gomes Júnior, e o presidente interino Raimundo Pereira. O segundo turno das eleições está marcado para o dia 29.

Em Bissau, capital do país, parte da população civil armazenava mantimentos, enquanto outra fugia rumo ao interior. Bancos e agências governamentais fecharam e rodoviárias lotaram.

"Tenho medo de que haja uma guerra. Voltarei para minha cidade, São Domingos, e levarei meus cinco filhos", disse a dona de casa Djenabou Bari à agência Reuters.

No domingo, os golpistas anunciaram a criação de um conselho de transição, mas o principal partido do país, o PAIGC, se negou a participar e acusou os militares de adotarem iniciativas inconstitucionais. Ontem, em protesto, a principal central sindical do país declarou greve. "O governo não existe e em uma situação assim não há patrões", disse o secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Guiné-Bissau.

Esse é o segundo golpe de Estado na África Ocidental em menos de um mês. No final de março, militares tomaram o poder no Mali em meio ao avanço de uma guerrilha separatista tuaregue. / REUTERS, AP e EFE

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