Guiné declara estado de emergência

Medida quer impedir protestos contra resultado de eleição; reuniões de cidadãos estão proibidas

, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

Os militares de Guiné declararam ontem estado de emergência no país, que desde a segunda-feira vem enfrentando violentos protestos contra o anúncio do resultado das eleições presidenciais. Sem dar maiores detalhes, o decreto proibiu civis de circular nas ruas livremente. Pelo menos uma pessoa morreu durante as manifestações.

O candidato à presidência Alpha Conde, da etnia malinke, foi declarado vencedor da votação. Em reação, apoiadores da etnia peul, de seu oponente, Cellou Dalein Diallo, se revoltaram. No primeiro turno da eleição, Diallo havia obtido 43,7% do votos, contra 18,25% de Conde.

Os malinkes correspondem, segundo dados da ONU, a 23,3% da população de Guiné. Os peuls são 38,7%. Os manifestantes queimaram pneus, fizeram barricadas e destruíram casas e negócios de cidadãos da etnia rival.

De acordo com os militares, o estado de emergência permanecerá até que a Suprema Corte do país declare o resultado final da eleição, que ocorreu no dia 7. A Justiça tem até a terça-feira para anunciar a decisão.

Desde 2008, com a morte do então presidente Lansana Conte o panorama político de Guiné é instável. Depois de ser governado por uma junta militar que matou 150 pessoas durante um protesto, em 2009, e enfrentou uma greve pouco depois, o governo foi tomado pelo general Sekouba Konate. Antes ministro da Defesa, ele assumiu a presidência depois que o líder malinke Mohamed Camara foi baleado. Em maio, foi anunciada a data das eleições.

Ontem, Konate informou que o estado de emergência proíbe qualquer reunião de civis. Seu porta-voz, Mohamed Kaffe, declarou que os cidadãos podem ir ao trabalho e ao mercado, mas têm de andar sozinhos. / AP

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