Guru de Cristina Kirchner morre aos 78 anos

Filósofo favorito da presidente argentina idealizou reforma que previa reeleições ilimitadas

Ariel Palacios - Correspondente,

14 de abril de 2014 | 20h19

BUENOS AIRES – O filósofo argentino Ernesto Laclau, "guru" da presidente Cristina Kirchner, morreu aos 78 anos, no domingo, em Sevilha, onde estava para uma série de conferências. Ele morava desde 1969 na Grã-Bretanha, onde era professor na Universidade de Essex, e também dava aulas na Universidade Northewstern, nos EUA. Será enterrado na Argentina.

Laclau, defensor das reeleições presidenciais ilimitadas, havia aconselhado mais ousadia ao governo argentino. Defensor do conflito permanente e da polarização política, o filósofo sugeriu a criação de uma “Junta Nacional de Cereais” e propôs a aplicação de aumentos de impostos sobre os produtores agropecuários, setor que desde 2008 mantém uma relação tensa com Cristina.

Em 2012, Laclau idealizou o plano “Cristina Eterna”, projeto de reforma constitucional proposto por setores parlamentares do kirchnerismo que pretendia a implementação de reeleições ilimitadas. “Uma democracia real na Argentina baseia-se na reeleição ilimitada”, sustentava Laclau, que defendia a ideia do “caudilho” como figura mais adequada à política latino-americana. O filósofo afirmava que, “quando se constrói toda a possibilidade de um processo de mudanças ao redor de um nome determinado, se esse nome desaparece, o sistema fica vulnerável”.

O filósofo também afirmava que, “caso Cristina se eternize” no poder “não será algo que vá contra o sistema democrático”. Segundo ele, a América Latina precisa de presidentes que possam se reeleger mais vezes, para que os projetos políticos possam ser implementados.

Laclau admitia que este sistema ia na contra-mão de outros modelos do mundo ocidental. Mas, argumentava que “a América do Sul tem que ter um sistema próprio...o sistema europeu não se aplica à nossa realidade”.

O plano de “Cristina Eterna” fracassou, com os resultados do governo Kirchner nas eleições parlamentares de outubro passado. Na ocasião – quando a oposição obteve 68% dos votos – Cristina ficou sem chances de obter os dois terços do Parlamento necessários para uma reforma da carta magna.

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