Gusmão pede formalmente a renúncia de primeiro-ministro timorense

O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, pediu formalmente nesta quarta-feira a renúncia do primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri. O premier é acusado de organizar um grupo armado para eliminar seus adversários políticos, informou nesta quarta-feira a rádio australiana ABC.Segundo a emissora, Gusmão transmitiu pessoalmente esse pedido a Alkatiri na terça-feira à noite, com uma carta e uma fita de um programa transmitido pela ABC no qual são feitas essas acusações.A rádio divulgou que Alkatiri ordenou que o ex-ministro do Interior timorese Rogério Lobato fornecesse armas a cerca de 30 simpatizantes para matar seus inimigos, entre eles, quase 600 soldados expulsos do exército timorense no final de abril.O procurador-geral timorense, Longuinhos Monteiro, afirmou que não existem provas suficientes contra Alkatiri para abrir uma investigação sobre a sua possível participação em uma entrega ilegal de armas.Monteiro acrescentou que a Promotoria abriu uma investigação na terça-feira e emitiu uma ordem contra Lobato, e quando esta for executada ele terá que comparecer, mas afirmou que o ex-ministro não está detido.Lobato é investigado pelas acusações feitas por Vicente Railos da Conceição, líder do grupo supostamente armado a pedido de Alkatiri.Entenda a criseA onda de violência desencadeada após a demissão de 600 militares em março passado causou a morte de cerca de 30 pessoas, o deslocamento de cerca de 100 mil e requererá a entrada de tropas internacionais.A crise timorense determinou a intervenção de forças da Austrália, Malásia, Portugal e Nova Zelândia, com a missão de frear os enfrentamentos violentos que acontecem em Dili entre grupos oriundos da região oriental (lorosae) e da ocidental (loromono).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.