Gustav faz Nova Orleans ordenar desocupação da cidade

O prefeito de Nova Orleans, RayNagin, ordenou neste domingo que seus mais de 239 milhabitantes abandonem a cidade, às vésperas da chegada dopoderoso furacão Gustav. A ordem de desocupação foi a primeira em Nova Orleans desdeque o furacão Katrina devastou a cidade histórica do sulamericano em agosto de 2005. "Esta é a mãe de todas as tempestades", disse Nagin sobre oGustav, uma tempestade monstruosa de categoria 4 que pode seaproximar do centro da costa da Louisiana, a oeste de NovaOrleans, neste domingo. "Vocês devem se preocupar, devem tirar o traseiro do lugare sair da cidade já", disse Nagin na sede da prefeitura. "Estaé a tempestade do século". A ordem de desocupação, que não será imposta fisicamentepelas autoridades, teria início na rebaixada margem oeste dacidade a partir das oito da manhã deste domingo (hora local),seguida pela margem leste ao meio-dia, disse Nagin aosrepórteres. Os residentes têm a opção de ficar para trás e enfrentar atempestade, mas "seria um dos maiores equívocos que se podecometer nesta vida", declarou o prefeito. Ele disse que as pessoas podem ter que abrir brechas nostetos de suas casas para escapar da enchente se decidirempermanecer. "Tenham um machado por perto", disse ele. Mas um dia depois do terceiro aniversário do Katrina,muitos já haviam decidido abandonar a cidade, grande parte daqual jaz abaixo do nível do mar. Milhares deixaram Nova Orleans no início do sábado.Esperando evitar o espetáculo de 2005, quando residentesdesesperados lotaram o estádio New Orleans Superdome, o governoalinhou centenas de ônibus e trens para levar 30 mil pessoasincapazes de se locomover. Cerca de dez mil pessoas deixaram a cidade de ônibus outrem no sábado, informou Nagin. As outras 20 mil quesolicitaram auxílio para a retirada devem deixar a cidade nestedomingo, acrescentou ele. Muitos dos que partiram receberam pulseiras com códigos debarra que permitirão às autoridades localizá-los. O Gustav atingiu o território cubano no sábado e podealcançar o Golfo do México como uma tempestade de categoria 4,a segunda maior na escala Saffir-Simpson, de cinco estágios,declarou o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. EXPECTATIVA DE ALAGAMENTOS Na região de Lower Ninth Ward, submersa nos alagamentos doKatrina, centenas de residentes empacotaram seus pertences emcarros e caminhões e partiram. Alguns haviam voltado para casasomente poucos meses depois de fugir do Katrina. "Depois do Katrina, você tem que partir", disse Ruby Hall,moradora de longa data, apontando o ponto da varanda até ondesubiram as águas do Katrina. "Não vou arriscar, não com umneto". A margem oeste da cidade foi em grande parte poupada peloKatrina, mas pode sofrer "alagamentos consideráveis" porqueseus diques de três metros não são páreo para a investida doGustav, que pode alcançar seis metros, disse Nagin. A investida do furacão Katrina rompeu os diques de proteçãono dia 29 de agosto de 2005 e alagou oitenta porcento dacidade. Nova Orleans mergulhou no caos enquanto vítimas ilhadasesperavam pelo resgate durante dias. O furacão matou cerca de 1.500 pessoas ao longo do Golfo doMéxico e causou danos de U$80 milhões, tornando-se o maiscustoso desastre natural dos EUA. No sábado o congestionamento era intenso nas estradas quedeixam a cidade, e seis paróquias situadas em terras baixasemitiram ordens de evacuação. Todas as principais rodovias da Louisina só iriam permitiro tráfego em mão única a partir das 4 da manhã deste domingo(horário local). O último vôo do aeroporto de Nova Orleansestava marcado para decolar às seis da manhã. Ao todo, 11,5 milhões de pessoas estão na rota do Gustav,de acordo com o Escritório do Censo americano. Walter Parker, um segurança que ficou preso durante oitodias em seu apartamento durante a inundação do Katrina, sejuntou à fila no terminal de passageiros de uma rodoviárialocal, no qual famílias com crianças e pertences aguardavamtransporte. "Não quero ver outro Katrina, com cadáveres boiandona água", disse Parker.

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