AFP PHOTO / EDUARDO MUNOZ ALVAREZ
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Guterres reconhece limitações da ONU e promete reformas

Guterres assumiu o cargo no dia 1.º e, dias depois, foi confrontado pela frase de Trump, descrevendo a ONU como 'apenas um clube' onde diplomatas vão para 'passar bem'

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2017 | 21h02

O novo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pretende responder com reformas ao desafio que tem pela frente. Sua entidade é alvo de ironias por parte de Donald Trump, seus cofres estão em grande parte vazios, a estrutura ainda é dos anos 40 e a burocracia é uma das mais kafkianas do mundo. Para o português, só há uma opção: reformar até mesmo a cultura e mentalidade dentro da entidade criada depois da 2.ª Guerra.

Guterres assumiu o cargo no dia 1.º e, dias depois, foi confrontado pela frase de Trump, descrevendo a ONU como “apenas um clube” onde diplomatas vão para “passar bem”.

De forma franca, o português admitiu nesta quarta-feira, 18, “os fracassos e limitações da ONU”. Mas alertou que “teríamos mais conflitos no mundo se a ONU não existisse, mais sofrimento”. Seu plano para os próximos cinco anos, portanto, será o de “ser mais eficiente para lidar com a multiplicação de conflitos”. 

Guterres planeja uma “séria reforma” da entidade. “Precisamos de uma mudança de cultura para resgatar a credibilidade”, disse o português em entrevista coletiva. Ele afirmou que quer trabalhar de forma “construtiva” com Trump. 

Uma das medidas que começa a ser tomada pelo secretário-geral é a reforma da arquitetura da ONU para lidar com temas de segurança e paz. Departamentos serão instruídos a trabalhar juntos e haverá uma maior coerência entre programas de manutenção de paz, Capacetes Azuis e esforços antiterror. 

Em termos administrativos, Guterres quer uma ONU “mais flexível e menos burocrática”. Hoje, a contratação de um novo funcionário pode levar até nove meses em razão de disputas políticas e de critérios. 

Outra meta é assegurar que programas de desenvolvimento e combate à pobreza estejam no centro de todas as atividades da entidade até 2030. Guterres quer colocar a mediação e a prevenção de conflitos como centro de seu programa. Sua ideia é que o secretário-geral tenha maior papel ao incentivar governos a dialogar. 

 

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