RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADAO
RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADAO

Há 24 anos - O cativeiro que cunhou um presidente

Na Avenida Juan de Garay, 2880, o novo presidente argentino foi mantido em cativeiro após um sequestro em que foi transportado em um caixão funerário

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

10 de dezembro de 2015 | 02h00

O funcionário público Claudio Salerno, de 47 anos, foi vizinho de Mauricio Macri durante 14 dias em janeiro de 1991. Ele morava em frente ao sobrado da Avenida Juan de Garay, 2880, onde o novo presidente argentino foi mantido em cativeiro após um sequestro em que foi transportado em um caixão funerário. 

Segundo o próprio Macri, aquele trauma levou o filho de um dos empresários mais ricos do país entrar na vida pública. Primeiro como presidente do Boca Juniors (1995-2007), em seguida como prefeito de Buenos Aires (2007-2015) e a partir de hoje como presidente.

Um dos eleitores que permitiram essa ascensão foi Salerno, que há 24 anos brincava na borracharia vizinha ao casarão em ruínas que escondeu Macri. “Nós acompanhávamos o caso pela TV, mas ninguém imaginava que ele estaria tão perto”, disse ontem Salerno, quando foi visitar sua mãe, que ainda mora na região, no bairro de San Cristóbal. O casarão, que já estava em ruínas na época, teve a porta principal concretada e a da garagem coberta por um outdoor que hoje faz propaganda de hambúrguer.

Macri nunca gostou de falar do tema. Por isso, houve repercussão quando, em um momento de dificuldade na disputa pela Casa Rosada, ele relançou sua campanha com um texto intitulado ‘Da Escuridão’. Nele, dizia ter recebido mais do que haviam tirado dele durante o sequestro. Os criminosos, ex-policiais federais, o soltaram depois de a família pagar US$ 6 milhões. “Passei a maior parte do tempo em uma caixa de madeira de um metro e meio por um metro e meio. Desciam comida de um buraco no teto”, descreveu.

Vizinha do casarão, a artesã Tais Gimenez, diz torcer por Macri, mas não acredita em sua transformação. “Para mim é um filho de milionário mimado, que conseguiu o que quer. Vamos ver se sabe o que fazer com isso. Cristina fez mais pelo povo.”

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