Há 'apelo' e não 'interferência' do Brasil, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou hoje que haja "interferência" do Brasil no caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani - iraniana condenada à morte por supostamente manter relacionamentos extraconjugais, também acusada pelo regime de Mahmoud Ahmadinejad de envolvimento na morte do marido. Segundo o chanceler, o governo brasileiro fez um "apelo" ao oferecer asilo para Sakineh.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

17 de agosto de 2010 | 17h02

"Não é uma interferência de modo algum na soberania (iraniana)", disse. "O apelo de uma pessoa com quem você tem relações amistosas tem mais chances de ser bem-sucedido", acrescentou Amorim, após receber, no Palácio do Itamaraty, o chanceler do Chile, Alfredo Moreno. "Como o presidente Lula tem uma boa relação com o presidente Ahmadinejad, é natural ele poder fazer um apelo".

Ontem, a Embaixada do Irã no País informou, por meio de nota, que o episódio serve para "prejudicar a imagem da República Islâmica do Irã", "pressionar o governo de Luis (sic) Inácio Lula da Silva" e "prejudicar as relações bilaterais". A embaixada disse ainda que Teerã e Brasília "pagaram muito por sua independência e liberdade" e que "não permitirão, de maneira alguma, interferências de quaisquer países em seus assuntos internos".

Para Amorim, não há mal estar entre os dois países por conta do caso. "É claro que o que nós preferimos é que haja uma solução, já foi dito várias vezes", disse o ministro. "É um caso que tocou a sensibilidade das pessoas, não vou entrar no mérito se ela tem outras acusações, se não tem e o que elas representam, mas o fato é que esse caso, como se apresentou para o mundo e ao Brasil, tocou a sensibilidade".

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