EFE/Alejandro Ernesto
EFE/Alejandro Ernesto

Há décadas aparelhos sônicos são usados como armas não letais

As polícias de vários países já recorreram ao som para conter protestos e distúrbios ou impedir saques

O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 18h22

WASHINGTON - O governo americano disse que os funcionários da Embaixada dos EUA em Havana foram vítimas de um ataque sônico. O aparelho usado seria tão sofisticado que o ruído não poderia ser audível, mas tão prejudicial que um diplomata agora tem de usar aparelho de surdez.

Segundo funcionários americanos, o aparelho teria sido usado dentro das residências diplomáticas ou nas imediações. Ele acrescentou que aparelhos ultrassônicos ou infrassônicos podem ter sido usados nos ataques.

Para alguns especialistas, os danos causados por ataques acústicos podem provocar desde uma pequena irritação à morte, dependendo do tipo de arma usado e da distância envolvida. Ryan Littlefield, da Universidade de Portsmouth, disse à revista Time que as polícias de vários países já usaram aparelhos infrassônicos durante distúrbios e não há registros de mortes. Segundo ele, o uso desses aparelhos pode causar vertigem, vômito e problemas de audição, entre alguns dos efeitos.

Acredita-se que, durante a 2.ª Guerra, Albert Speer, cientista de Adolf Hitler, trabalhou em um "canhão acústico" para "ensurdecer ou mesmo matar" seus alvos, ao criar uma série de mais de mil explosões por segundo.

Durante anos o som foi usado como uma arma não letal, mas potencialmente prejudicial. Em todo o mundo, vários tipos de aparelhos sônicos foram usados para controlar a multidão, proteger áreas de ataques ou incapacitar soldados ou trabalhadores. Vários tipos de "guerra sônica" foram lançadas no mundo todo no século passado. Os EUA usaram no Vietnã nos anos 70 e o Exército israelense durante protestos em 2005.

Desde o começo dos anos 90, aparelhos acústicos de longa distância - também conhecidos como LRADs - ajudaram no controle de distúrbios. Eles emitem um  som alto e doloroso, levando à dispersão da multidão. Esse tipo de aparelho foi usado recentemente nos protestos de 2014 em Ferguson, Missouri, após policiais brancos matarem um homem negro, Michael Brown.

Há também um aparelho que emite um zumbido que só pode ser notado por adolescentes, não adultos. É usado em vários países para impedir saques. James Parker, especialista em som da Universidade de Melbourne, Austrália, disse à rede CNN que o zumbido não é audível para os adultos, pois a audição vai ficando mais fraca com o tempo. Segundo ele, os que ouvem o zumbido geralmente sentem desconforto e náusea.

Desde os anos 90, companhias militares e privadas americanas desenvolveram aparelhos infrassônicos que podem causar mudanças de comportamento, apesar de as frequências serem baixas demais para serem ouvidas. No entanto, Parker diz que o infrassom é o mais difícil de ser usado como arma. Como o infrassom, o ultrassom também não é audível, pois sua frequência é alta demais para que os humanos possam ouvi-la.

A mídia americana disse esta semana que os exames médicos de alguns diplomatas dos EUA em Cuba diagnosticaram leves danos cerebrais traumáticos. No entanto, cientistas disseram ao jornal britânico The Guardian não acreditar que um aparelho ultrassônico seja capaz de causar danos cerebrais permanentes. Robin Cleveland, professor de ciência da engenharia na Universidade Oxford, disse que "o som teria de entrar no tecido do cérebro para causar esse tipo de dano". 

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