Há risco de expansão do conflito com Iraque

Embora a maioria dos analistas e instituições ressaltem em seus cenários básicos a possibilidade de um ataque de curta duração dos EUA ao Iraque, não se descarta uma ampliação do conflito, com riscos imprevisíveis para a economia mundial. Num cenário alternativo, existe risco de expansão geográfica do conflito, assim como de novos ataques terroristas contra os EUA e alvos norte-americanos, diz o economista-chefe do ING, Marcelo Salomon. Alguns especialistas afirmam que o pior para os Estados Unidos não será o embate militar contra o Iraque, mas o pós-guerra. A questão-chave será como os EUA vão garantir a instalação de um governo "amigo" no lugar de Saddam Hussein, num país como o Iraque, cuja economia já foi abalada por duas guerras recentes (Irã-Iraque, na década de 80, e a invasão iraquiana ao Kwait em 1990, que levou a um prolongado embargo da ONU às exportações de petróleo iraquiano). Um risco potencial para a economia global será a desestabilização da região envolvendo vizinhos do Iraque como Irã e Turquia. Dois pólos problemáticos para os EUA serão o Norte do Iraque, onde há refugiados turcos, e o Sul, onde há concentração de xiitas ligados ao Irã. A imprensa norte-americana especulou recentemente que grupos xiitas iraquianos refugiados em Teerã e contrários a Saddam poderiam aproveitar o conflito para tentar dominar áreas do Sul. Da mesma forma, curdos poderiam tentar tomar áreas do Norte consideradas como parte do território curdo, mas controladas agora por Saddam. Isso poderia desencadear o envolvimento militar da Turquia para proteger a minoria turca na região.

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