EFE/Andrew Gombert
EFE/Andrew Gombert

‘Há uma guerra a menos no planeta’, diz Santos em relação ao acordo de paz com Farc

Presidente colombiano entregou ao Conselho de Segurança da ONU um documento com os detalhes do acordo

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2016 | 14h21

NOVA YORK, EUA - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse nesta quarta-feira, 21, na Assembleia-Geral da ONU que “há uma guerra a menos no planeta”, referindo-se ao acordo de paz que coloca um fim aos mais de 50 anos de conflito entre governo e Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Santos lembrou que começou a negociar com a guerrilha, “a maior e mais antiga do continente americano”, desde que assumiu a presidência da Colômbia em 2010. “Hoje volto às Nações Unidas para anunciar - com toda a força da minha voz e do meu coração - que a guerra na Colômbia terminou”.

“Há uma guerra a menos no planeta”, destacou o líder colombiano, em um comentário que provocou um sentimento de alívio em um momento em que os líderes mundiais ficam estagnados com as frustrantes negociações para tentar impedir a guerra na Síria.

O discurso emocionado de Santos ocorreu pouco depois de ele ter apresentado o acordo de paz ao Conselho de Segurança da ONU.

"Venho entregar-lhes o resultado de quase seis anos, porque foram dois anos secretos e quatro anos de negociação aberta do resultado de um grande esforço para acabar com o último conflito armado do hemisfério ocidental", declarou Santos.

Entre aplausos, o presidente entregou, em seguida, uma pasta ao presidente do Conselho de Segurança, o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key, com os detalhes do acordo.

“As armas se fundirão e se converterão em três monumentos para a paz: um aqui, em Nova York, outro em Cuba, a sede dos diálogos, e outro na Colômbia”, disse Santos.

O presidente explicou que o acordo significa, entre outras coisas, que as Farc poderão se converter em um movimento político dentro da democracia, que os camponeses - os mais afetados pelo conflito - desfrutarão de uma melhoria considerável em sua qualidade de vida e que haverá mais acesso à terra.

Santos também afirmou que “é a primeira vez na história da resolução de conflitos armados no mundo em que um governo e um grupo armado ilegal - por meio de um acordo e não por imposições externas - acertam uma justiça transitória para se submeter a ela”.

Veja abaixo: O acordo de paz entre Colômbia e as Farc

“Os responsáveis por crimes internacionais e outros delitos graves serão investigados, julgados e sancionados”, destacou o líder colombiano. O acordo também significará que o narcotráfico deixará de alimentar uma guerra que durou mais de meio século.

“As Farc se comprometem a romper qualquer vínculo com essa atividade” e deixarão de proteger os cultivos ilícitos de coca. Isso terá um impacto no meio ambiente, já que “conforme ocorrer a substituição dos cultivos ilícitos por cultivos legais, acabará o desmatamento causado pela plantação de coca”. / AFP

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