Hackers bloqueiam sites chineses e pregam contra regime

Ativistas do grupo Anonymous estariam protestando contra restrições impostas por Pequim à internet

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2012 | 03h07

A China lutava na quinta-feira para restaurar o funcionamento de vários sites do governo na internet que o grupo internacional de hackers Anonymous diz ter atacado num aparente protesto contra as restrições do regime chinês ao acesso à rede mundial de computadores.

Numa conta do Twitter aberta no fim de março, o Anonymous China listou os sites que teriam sido atacados nos últimos dias. Entre eles estavam os de escritórios do governo em várias cidades chinesas, incluindo Chengdu, capital da Província de Sichuan, no sudoeste do país. Alguns dos sites continuavam com o funcionamento suspenso ontem, exibindo mensagens de erro.

Os ativistas do grupo Anonymous atacaram sites em todo o mundo. Eles defendem causas políticas, incluindo a oposição à repressão global contra os sites de compartilhamento de arquivos e a defesa do WikiLeaks, responsável pela publicação de informações classificados como confidenciais por vários governos e entidades em todo o mundo.

Alguns sites que o Anonymous disse ter atacado, porém, estavam funcionando na quinta-feira e funcionários do governo negaram que tais páginas tivessem sido invadidas. A Equipe Técnica de Resposta a Emergências da Rede Nacional de Computadores da China preferiu não comentar o episódio.

Em mensagem deixada em um dos sites chineses invadidos - cdcbd.gov.cn, página do distrito financeiro de Chengdu -, os hackers manifestaram sua frustração diante das restrições ao acesso à internet impostas pelo governo chinês.

"Querido governo chinês, você não é infalível. Hoje, seus sites são invadidos e, amanhã, é o seu vil regime que vai cair", dizia a mensagem, escrita em inglês. "Aquilo que vocês infligem ao seu grande povo lhes será infligido amanhã. Sem misericórdia." A mensagem trazia também instruções para evitar as restrições impostas pela China ao conteúdo da internet.

O governo chinês tenta bloquear sites de mídia social, como Facebook e Twitter. As informações a respeito de temas politicamente sensíveis também costumam ser censuradas. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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