Hackers chineses acessaram dados de funcionários dos EUA

O jornal 'The New York Times' afirmou que os piratas cibernéticos conseguiram informações de milhares de trabalhadores do governo

O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2014 | 09h00

(Atualizada às 12h44) WASHINGTON - Hackers chineses conseguiram acessar, em março, a rede de computadores da agência governamental dos Estados Unidos que cuida das informações pessoais de todos os funcionários federais americanos, noticiou na quarta-feira 9 o jornal The New York Times, citando autoridades de alto escalão dos EUA.

Os hackers parecem ter se voltado para os arquivos de milhares de funcionários que se candidataram a passar por checagens de segurança ultrassecretas, como contratos em outros países, empregos anteriores e dados pessoais, como uso de drogas, informou o jornal.

Os piratas cibernéticos conseguiram entrar nas bases de dados do Escritório de Recursos Humanos, antes que as autoridades americanas detectassem a ameaça e bloqueassem o acesso à rede, acrescentou o NYT, mas não ficou claro o quanto eles conseguiram acessar.

Perguntado sobre a reportagem em uma negociação anual de alto nível entre EUA e China nesta quinta-feira, 10, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que o "alegado incidente" não parece ter impactado dados sensíveis. "O que ouvimos é que isso está relacionado a uma tentativa de invasão. Isso ainda está sendo investigado pelas autoridades dos EUA. Até este momento não parece ter comprometido nenhum material sensível."

Os EUA acusaram recentemente cinco militares chineses de acessar ilegalmente informações sobre companhias americanas com o objetivo de roubar segredos corporativos.

O governo chinês afirmou nesta quinta-feira que a publicação do NYT foi "irresponsável".

A informação sobre os hackers chega no momento em que ocorre, em Pequim, a sexta rodada do Diálogo Econômico Estratégico e Econômico bilateral entre EUA e China. As negociações têm como foco a segurança cibernética, assim como disputas marítimas, questões monetárias e um tratado sobre investimentos.

Na quarta, o presidente americano, Barack Obama, havia dito estar interessado em estabelecer "um novo modelo" de relações com a China, a partir de uma cooperação mais pragmática e na "gestão construtiva" das diferenças.

As acusações mútuas de espionagem cibernética entre os dois países esfriaram as relações bilaterais e estão no centro das conversas de alto nível em Pequim. /EFE e REUTERS

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