Anders Wiklund/AP
Anders Wiklund/AP

Hackers lançam ofensiva na rede para vingar cerco financeiro ao WikiLeaks

Visa, PayPal, Amazon e até a procuradoria da Suécia foram vítimas da rápida reação dos partidários de Julian Assange; a Mastercard, que também suspendeu seus serviços ao site, admitiu que houve queda de seu sistema de verificação de pagamentos

, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

Hackers solidários ao WikiLeaks lançaram um amplo ciberataque contra entidades que tentam sufocar, financeiramente e judicialmente, a organização de Julian Assange. Os alvos ontem foram um banco suíço e as redes Mastercard e Visa - que haviam suspendido seus serviços ao WikiLeaks -, além da procuradoria da Suécia, que pede a extradição de Assange, preso em Londres.

No Twitter, supostos responsáveis pelos ataques batizaram a ofensiva de "Operação Troco". Também ontem, o número de fãs da página do WikiLeaks no Facebook chegou a 1 milhão.

A Mastercard admitiu que estava sofrendo "quedas de serviço" em seu sistema de verificação de pagamentos. A empresa foi obrigada a garantir publicamente que seus clientes poderiam continuar a usar os cartões com segurança. Além dos três grandes ataques de ontem, hackers partidários de Assange já invadiram páginas e prejudicaram o funcionamento da Amazon, PayPal e EveryDNS - todas cortaram seus serviços ao WikiLeaks, sob pressão dos EUA.

O governo americano, pela primeira vez, falou publicamente sobre os prejuízos que o WikiLeaks provocou em suas ações e procedimentos diários. Segundo P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado, grandes reuniões de diplomatas americanos e estrangeiros deram lugar a eventos mais reservados. Não está claro, porém, se a mudança foi provocada pelo temor de novos vazamentos ou pela pressão de aliados envolvidos na divulgação de documentos.

Uma fonte de Washington negou que o governo pretenda transferir alguns diplomatas citados em telegramas. "Não achamos que será necessário. O vazamento causou danos substanciais e levará algum tempo para resolvermos essa questão." Crowley foi mais cauteloso. "Obviamente, veremos se algum diplomata em especial é boicotado em países ressentidos com o que foi revelado."

O secretário da Defesa, Robert Gates, mostrou-se otimista, dizendo que os vazamentos foram lamentáveis e inoportunos, mas não causarão danos graves. Já o coronel Dave Lapan, porta-voz do Pentágono, afirma que há sinais de que potências estrangeiras estão se retirando de negociações com os EUA.

Lobby. O WikiLeaks também retaliou ontem as redes Visa e Mastercard. O site divulgou telegramas que mostram que os EUA fizeram lobby junto ao governo russo para que uma lei local fosse alterada para não prejudicar as duas empresas. Em outro documento, Washington entrou em cena junto ao governo turco para amenizar as críticas à Mastercard depois que a empresa publicou um guia turístico que citava as aspirações curdas e o genocídio armênio. / REUTERS, THE GUARDIAN e AP

SEGREDOS

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EUA julgam inadequada a preparação para a Copa e os Jogos. Brasil temeria ataque

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Espionagem na ONU

Foram coletados dados biométricos até do secretário-geral, Ban Ki-moon

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Governo contratou equipe de hackers e atacou o Google

Armas nucleares

EUA têm ogivas na Alemanha, Holanda, Bélgica e Turquia

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Pequim poderia abandonar a Coreia do Norte

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Governo consultou palestinos e Egito antes de atacar Gaza

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EUA

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