Hackers sabotam e-mails do Yahoo! de oito correspondentes na China

Contas ficaram inacessíveis por duas semanas e tiveram dados rastreados e copiados

Efe

31 de março de 2010 | 11h53

PEQUIM - Contas de email do Yahoo! de pelo menos oito correspondentes internacionais na China foram alvo de hackers nas últimas semanas, dois meses depois que o Google denunciasse ataques similares contra dissidentes e jornalistas no país, um dos mais censurados do mundo, informou nesta quarta-feira, 31, Clube de Correspondes Internacionais da China (FCCC, na sigla em inglês).

 

Várias das contas afetadas foram bloqueadas ou encaminhadas a endereços eletrônicos desconhecidos e tiveram que ser desativadas pelo Yahoo! em 25 de março. Os jornalistas não puderam acessá-las durante duas semanas e, quando tentavam, o servidor respondia com uma mensagem de "detecção de problemas na conta".

 

Embora o site americano não tenha contestado as perguntas do clube sobre esses ataques, a equipe técnica do Yahoo! afirmou a um dos jornalistas afetados que o email tinha sido hackeado e que a empresa tinha conseguido restaurar o acesso.

 

O FCCC lembra a seus membros que os emails "parecem não ser um meio de comunicação seguro na China". Para o clube, outros meios são preferíveis para agendar ou realizar entrevistas ou tratar de "assuntos delicados" para o regime chinês.

 

Esse é o último caso de uma série de ataques de hackers na internet chinesa desde que o Google denunciou o primeiro deles em 12 de janeiro. Após aquele ataque, inúmeros outros semelhantes ocorreriam, como o recém-registrado contra sites de ONGs defensoras dos direitos humanos na China.

 

A China é o maior mercado de internet do mundo, com cerca de 400 milhões de usuários, mas também um dos mais censurados, conforme denunciam as organizações de liberdade de expressão e de imprensa.

 

Nesta quarta, a emissora Radio Free Asia, com sede nos EUA, denunciou que todos os serviços de busca do Google tinham sido bloqueados temporariamente na China por uma errônea associação com uma das várias siglas censuradas no país, RFA. Libby Liu, responsável da emissora para a Ásia, assinalou em comunicado que este bloqueio demonstra" ao mundo o controle repressivo de internet e da liberdade de expressão na China".

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