Haiti ainda é incapaz de amparar desabrigados

Apesar de doações bilionárias, somente 28 mil do 1,5 milhão de haitianos que perderam tudo receberam novos lares desde o terremoto, há 6 meses

Deborah Sontag, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2010 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

PORTO PRÍNCIPE

Seis meses depois do terremoto que trouxe ao Haiti o auxílio e a atenção de todo o mundo, somente 28 mil dos 1,5 milhão de haitianos desabrigados foram instalados em novos lares. A região de Porto Príncipe continua a ser uma dramática representação da vida em meio às ruínas.

Por todo lado há acampamentos precários e cidades planejadas de barracos, com sanitários, chuveiros e clínicas. Aqui e ali, encontram-se reluzentes abrigos novos e terrenos preparados com escavadeiras para a construção de uma cidade do futuro.

Mas o governo do Haiti tem se mostrado lento para tomar as difíceis decisões necessárias para avançar de um estado de emergência para um período de recuperação. Fraco antes do desastre e ainda mais enfraquecido por ele, o governo se viu sobrecarregado pelas complexidades logísticas de desafios como a remoção dos destroços e a identificação de lugares seguros para a realocação dos desabrigados.

Em alguns casos, o governo também se mostrou politicamente relutante. Em outros, o governo assumiu o controle, mas viu-se enredado em dificuldades.

Desde maio, o presidente René Préval se dedicou, com minuciosa atenção, a devolver aproximadamente 11.600 haitianos acampados diante do Palácio Nacional ao bairro de Forte Nacional. No entanto, nenhum abrigo provisório foi erguido no local até o momento.

Apesar de reconhecerem os obstáculos, as organizações internacionais que atuam no Haiti criticam o governo por criar dificuldades adicionais. Atrasos significativos na liberação de suprimentos por parte das autoridades alfandegárias, por exemplo, retardam iniciativas de recuperação ? e rendem ao governo um lucro substancial com despesas de armazenamento.

Com a chegada da temporada dos furacões, grupos humanitários se queixam da incapacidade do governo em articular uma estratégia clara de reassentamento. Funcionários haitianos e a ONU pedem paciência após o que dizem ser o maior desastre urbano da história moderna. Eles sublinham conquistas obtidas no fornecimento de comida, água e abrigos de emergência. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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