Haiti corre risco de ter um cantor como presidente

O que está errado com o Haiti no momento é que, um ano depois do terremoto que destruiu a capital e cidades vizinhas, o governo do país está desperdiçando suas limitadas energias fazendo politicagem, em vez de trabalhar num plano de recuperação sério. Pressionadas pela comunidade internacional, que quer saber o que o governo fará com os recursos prometidos, as autoridades haitianas envolveram-se em um vórtice de barganhas absurdas para determinar quem controlará esse dinheiro.

Amy Wilentz, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

As eleições de 28 de novembro foram um fracasso e a polêmica acabou se transformando numa luta para saber quais candidatos vão para o segundo turno. Depois de semanas de tensão, a Organização dos Estados Americanos (OEA) finalmente entregou o relatório recomendando os candidatos que deverão participar da disputa final: Mirlande Manigat, educadora e mulher de um ex-presidente que governou o país por alguns meses nos anos 80, e Michel Martelly, um bizarro cantor pop que se candidatou no último minuto e fez uma campanha astuta nos centros urbanos do país.

O relatório da OEA colocou o candidato do partido de René Préval, Jude Celestin, em terceiro lugar, impedindo o governista de participar do segundo turno. Na primeira contagem de votos, no início de dezembro, Martelly ficou em terceiro lugar. Depois que os primeiros resultados foram divulgados, partidários do cantor promoveram quatro dias de distúrbios, incendiando edifícios públicos e cometendo outros atos de violência e vandalismo. Se o relatório da OEA for aceito pelo governo haitiano - e há uma forte pressão nesse sentido -, significa que Martelly poderá ser o próximo presidente do Haiti. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É AUTORA DO LIVRO "A ESTAÇÃO DAS CHUVAS: O HAITI DESDE DUVALIER" E ESTÁ ESCREVENDO UM LIVRO SOBRE O PAÍS APÓS O TERREMOTO

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