Haiti declara Préval presidente após distribuir votos em branco

O candidato e ex-presidente haitiano René Préval foi declarado o vencedor das eleições presidenciais de 7 de fevereiro no início da madrugada desta quinta-feira, após uma reunião entre membros do governo interino e do Conselho Eleitoral Provisório (CEP). A decisão deve por fim a uma crise iniciada no começo da semana com a divulgação dos resultados parciais da apuração.Com praticamente todos os votos contados, Préval estava poucos pontos percentuais abaixo dos 50,01% necessários para levar o pleito no primeiro turno. Segundo autoridades haitianas citadas pela Associated Press, o acordo distribuiu proporcionalmente os cerca de 85 mil votos em branco entre os 33 candidatos que participaram do pleito, dando à Préval a maioria absoluta. "Nós reconhecemos a decisão final do conselho eleitoral e saudamos a eleição do Sr. René Préval como o novo presidente do Haiti", disse o primeiro-ministro haitiano, Gerard Latortue, em entrevista telefônica à AP. O chefe de gabinete do presidente interino do Haiti, Michel Brunache, disse que o acordo foi assinado por membros do Conselho Eleitoral e vários ministros durante uma reunião iniciada na noite desta quarta-feira.As cédulas em branco representavam 4% do total dos cerca de 2,2 milhões de votos apurados. Ao distribuí-las entre todos os candidatos, a percentagem dos votos de Préval subiu de 49,76% para 51,15%, garantindo a vitória do candidato do partido A Esperança. Praticamente todas as autoridades envolvidas nas eleições aprovaram a decisão. Segundo a agência de notícias EFE, o chefe da missão das Nações Unidas no Haiti, Juan Gabriel Valdés, disse que o organismo recebeu com "satisfação" a decisão do CEP. "Creio que a decisão do conselho é sábia, pois deve dar um governo estável para o país", declarou Valdés, um ex-chanceler chileno, à Rádio Cooperativa de Santiago. Já o presidente do CEP, Max Mathurin, lembrou que a decisão levou em consideração a situação delicada em que o país se encontrava após denúncias de que fraudes teriam sido praticadas durante a apuração. "Foi uma grande satisfação ter libertado o país de uma situação realmente complicada", disse ele à AP. "Nós encontramos uma solução para o problema", completou.O acordo deve esfriar os ânimos dos manifestantes haitianos que ganharam as ruas nos últimos dias. Ao menos um partidário de Préval morreu em protestos contra supostas fraudes praticadas na eleição, embora as manifestações tenham sido em sua maioria pacíficas. Nesta terça-feira, uma TV haitiana mostrou centenas de urnas abandonadas em um deposito de lixo na região metropolitana de Porto Príncipe. Segundo repórteres da AP que visitaram o local, cédulas com votos para Préval e sacolas com relatórios contendo a contagem dos votos também foram vistas em meio ao lixo.Nos últimos dois anos, ondas de seqüestros se espalharam pelo país devido à falta de segurança que tomou conta do Haiti após a destituição do ex-presidente Jean Baptiste Aristide.

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