Haiti e região devem se preparar para mais terremotos

O Haiti e seus países vizinhos devem se preparar para mais terremotos violentos, após os fortes tremores da terça-feira que devastaram a região caribenha, advertiram ontem cientistas. Um pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, em Austin (EUA), Paul Mann, advertiu que não é porque o processo de reconstrução começou que as pessoas devem pensar que não há mais riscos.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

16 de janeiro de 2010 | 10h55

Mann disse que a redução na tensão geológica ao longo da área de Porto Príncipe pode, na verdade, ter aumentado a tensão em segmentos adjacentes dessa falha geológica.

Pesquisadores já começaram a trabalhar em modelos para tentar predizer como as mudanças resultantes do terremoto de magnitude 7,0 estão afetando segmentos próximos da falha geológica. "Esse sistema de falhas tem centenas de quilômetros de largura e o segmento que se rompeu para gerar o terremoto é de apenas 80 quilômetros", explicou o especialista, em entrevista por telefone.

Mann explicou que há muitos segmentos similares, onde não houve terremotos nos últimos séculos. "Potencialmente, qualquer um desses trechos pode causar um terremoto similar ao ocorrido no Haiti."

Há dois grandes centro populacionais ao longo dessa falha geológica. Além de Porto Príncipe, há Kingston, na Jamaica.

Há um segundo sistema de falha geológica no norte haitiano, que se estende pela República Dominicana e não foi rompido em 800 anos. Nessa área, há pressão suficiente para um possível terremoto de magnitude 7,5. "A questão é quando ele irá se romper", disse Mann. Essa previsão, notou ele, é bastante difícil, pois o problema pode ocorrer "na próxima semana ou em 100 anos".

Eric Calais, um geocientista francês que trabalha na Universidade Purdue, em Indiana (EUA), é um dos que pesquisam esses riscos. Anos atrás, ele advertiu autoridades haitianas sobre a perigosa pressão na falha geológica. Pouco pôde ser feito, porém, para reforçar as construções locais, precárias em sua maioria. "Não se deve culpar o governo haitiano por isso", notou Calais. "Eles nos ouviram atentamente e sabiam o que era o risco. Eles estavam muito preocupados e tomando medidas. Mas isso apenas ocorreu muito cedo", disse.

"É um país pobre", lembrou Calais. "Fortalecer um prédio para resistir a um forte terremoto pode ser tão custoso quanto substituir o edifício."

Com a devastação, os haitianos poderão reconstruir os edifícios com mais reforços que antes, disse Calais. Segundo ele, há soluções de engenharia baratas que podem ser aplicadas para reforçar a segurança contra tremores. "É muito importante que Porto Príncipe seja reconstruída apropriadamente", acrescentou. "Há outros trechos da falha que podem se romper no futuro." As informações são da Dow Jones.

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