Haiti ignora lições de tragédia do tsunami de 2004

O tsunami que há 6 anos varreu o Oceano Índico e matou, segundo cifras oficiais, 226 mil pessoas, deixou uma cartilha de trágicas lições para o Haiti, onde o número de mortos varia entre 170 mil e 230 mil, de acordo com dados do governo. Porém, metade das lições do tsunami não foi seguida nos dias seguintes ao terremoto do dia 12 no Haiti. A outra metade só será posta à prova ao longo dos próximos dez anos, durante a reconstrução.

AE, Agencia Estado

11 de fevereiro de 2010 | 07h40

O primeiro erro no Haiti foi cometido antes mesmo da tragédia. Segundo especialistas, as construções precárias não ofereciam nem resistência nem maleabilidade para suportar desastres naturais - algo compreensível num país miserável, mas que explica, em parte, porque há mais vítimas em terremotos de mesma magnitude em nações pobres do que em ricas.

Na Indonésia, país mais castigado pelo tsunami de 2004, as autoridades investiram na construção de 50 mil novas casas populares só no ano passado. As novas residências são feitas sobre fundações mais profundas que as anteriores.

"É fundamental obedecer ao critério de reconstruir melhor do que antes", disse Markus Schutze-Kraft, diretor do International Crisis Group para a América Latina. "As novas construções devem ser resistentes a desastres futuros", advertiu Patrick Fuller, porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha para Ásia e Pacífico, que ainda trabalha na reconstrução pós-tsunami na Malásia.

Voluntários

Segundo Fuller, há outras duas lições a serem seguidas na reconstrução do Haiti. "Primeiro, os sobreviventes devem ser ouvidos sobre quais são as prioridades. Depois, a ajuda levada ao país tem de servir para reduzir a desigualdade social, e não para fazer com que a desigualdade cresça ainda mais."

Além disso, segundo ele, voluntários locais devem ser treinados para agir nos próximos desastres e o governo tem de ter um plano de coordenação preestabelecido com organizações não-governamentais (ONGs) de ajuda humanitária. Para Fuller, as medidas listadas são factíveis mesmo para um governo pobre, como o haitiano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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