Haiti investigará violações de Baby Doc

Segundo Anistia Internacional, mais de cem documentos comprovando torturas, sequestros e execuções foram enviados à promotoria do país

, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

PORTO PRÍNCIPE

A Anistia Internacional disse ontem que o governo do Haiti investigará os crimes contra a humanidade cometidos pelo ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc. O investigador da ONG no Haiti, Geraldo Ducos, afirmou que entregou mais de cem documentos à promotoria haitiana detalhando os casos de prisão arbitrária, tortura, sequestros e execuções.

No início da semana, a Justiça do Haiti processou Baby Doc por corrupção, desvio de fundos públicos e associação ilícita durante os 15 anos em que esteve no poder. Quatro cidadãos apresentaram queixas por crimes contra a humanidade. A Anistia Internacional pediu às autoridades haitianas que permitam que sobreviventes apresentem evidências dos abusos cometidos pelos Tontons Macoutes, milícia que aterrorizou o Haiti na era Duvalier."As vítimas têm o direito de receber indenizações, não só pelo aspecto econômico, mas também pelo reconhecimento moral", afirmou o investigador. Segundo ele, levar os autores de violações de direitos humanos à Justiça é uma das "obrigações do Estado".

Segundo o investigador, pela lei internacional, torturas, sequestros e execuções são crimes que não prescrevem. Ducos pediu ainda o apoio da ONU durante o processo contra Baby Doc.

Declarações. Ontem, pela primeira vez desde que voltou ao Haiti, no domingo, Duvalier falou com a imprensa. Ele manifestou "tristeza" pelas vítimas de seu governo e pediu a "reconciliação nacional", após afirmar que retornou para mostrar sua solidariedade às vítimas do terremoto de 2010. "Me impressionou favoravelmente as boas-vindas que recebi durante esta visita, especialmente da multidão de jovens que não me conhecem", afirmou.

A expectativa agora é sobre as possibilidade de retorno do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, exilado na África do Sul desde 2004. Seu advogado disse que ele não tem o apoio dos EUA e da França para retornar - países que, segundo Aristide, o forçaram a deixar o país. / AP

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