Haiti já enterrou 7 mil em vala comum, diz presidente

Falta água, a gasolina está acabando, o acesso à comida é difícil e os esforços de países do mundo inteiro parecem ser insuficientes para reduzir a crise que afeta o Haiti depois do terremoto de terça-feira. As ruas de Porto Príncipe estão repletas de moradores desabrigados e famintos. Centenas de corpos estão empilhados diante do Hospital Geral da cidade e a toda hora caminhonetes trazem mais mortos. O presidente haitiano, René Préval, disse ontem a repórteres no aeroporto da capital que 7 mil corpos já foram enterrados em valas comuns.

AE, Agencia Estado

15 de janeiro de 2010 | 08h19

Muitos haitianos escavam freneticamente, apenas com as mãos, entre os escombros em busca de parentes e amigos. Falta equipamento pesado para ajudar a retirar as vigas e os blocos de concreto. A estimativa de mortos varia. Alguns falam em pelo menos 30 mil, outros em mais de cem mil. A Cruz Vermelha estima em 40 mil ou 50 mil os mortos. Os corpos estão por todas as partes na capital, envoltos em lençóis ou lonas.

Temendo novos terremotos, os sobreviventes se agrupam em praças. Entre eles há muitas crianças feridas, órfãs ou perdidas. Sem nada para comer, muitos haitianos retiram alimentos entre as ruínas dos mercados que desmoronaram. Aviões com ajuda humanitária começam a chegar, mas a distribuição é lenta. Doações dos Estados Unidos e quatro instituições internacionais já somam US$ 500 milhões.

No momento, autoridades brasileiras e da Organização das Nações Unidas (ONU) apenas tentam ajudar na busca por possíveis sobreviventes. Os hospitais, afetados pelo terremoto, não conseguem mais receber feridos. Um dos problemas agora é verificar como as pessoas podem ser tratadas. Muitos feridos estão sendo enviados de helicóptero para a vizinha República Dominicana ou estão sendo atendidos no hospital improvisado da base militar brasileira.

Centenas de corpos estão empilhados diante do Hospital Geral de Porto Príncipe e a toda hora caminhonetes trazem mais mortos. Eliana Nicolini, uma brasileira que trabalha no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), disse que a prioridade agora será encontrar uma solução para os corpos. A maior parte já foi recolhida pelos militares da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah) e por agências humanitárias. Mas milhares continuam soterrados.

Os aviões também têm dificuldade para pousar e decolar, pois a torre de controle não funciona. Aviões dos EUA, Bélgica e França estavam na pista. Um cargueiro da Força Aérea Brasileira também , além de pequenos aviões fretados que traziam jornalistas e voluntários. Voos foram suspensos, pois não cabiam mais aviões no aeroporto. Os únicos hotéis que não ruíram estão lotados. Os jornalistas brasileiros foram obrigados a buscar refúgio em uma das bases militares em Porto Príncipe. O acesso à internet é inconstante e apenas telefones por satélites funcionam bem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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