Haiti pede ajuda internacional para julgar Baby Doc

Desde o retorno do ex-presidente de seu exílio na França, foram apresentadas 16 ações individuais contra ele na Justiça haitiana, como: desvio de verba e formação de quadrilha

Efe,

29 de março de 2011 | 03h45

WASHINGTON - A jornalista haitiana Michèle Montantes e o governo do Haiti solicitaram nesta segunda-feira, 28, à comunidade internacional e, especialmente, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ajuda e apoio técnico para que possa processar corretamente o ex-presidente Jean-Claude Duvalier, conhecido como 'Baby Doc'.

 

Em uma audiência na CIDH, Michèle, ex-porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cujo finado marido, o também jornalista Jean Dominique, foi enviado ao exílio durante o regime de Duvalier (1971-1986), relatou o sofrimento do povo haitiano durante esta ditadura.

 

A jornalista mostrou confiança em que seja feita justiça agora que o sucessor de François 'Papa Doc', que governou desde 1957, voltou ao Haiti.

Desde o retorno de Duvalier ao Haiti, em 16 de janeiro, após 25 anos de exílio na França, foram apresentadas 16 ações individuais contra ele na Justiça haitiana, segundo Michèle.

 

Entre outras coisas, 'Baby Doc' é acusado de crimes de lesa-humanidade, desvio de verbas e formação de quadrilha.

Desde o fim da ditadura, a fraqueza do sistema judiciário ainda não pôde ser resolvida, avaliou Michèle.

 

A jornalista, que chegou para a audiência acompanhada por Jean Joseph Exume, ex-ministro da Justiça, disse que o país "necessita do apoio da comunidade internacional" para que seja feita justiça, e solicitou à CIDH apoio técnico, uma visita ao país e o envio de um sinal de que "desta vez a impunidade não prevalecerá".

 

Por parte do Estado haitiano, André Antoine, diretor-geral do Ministério da Justiça e da Segurança do Haiti, disse que pela primeira vez os juízes haitianos analisam as violações cometidas por Duvalier e que a vontade de processar o ex-líder do país continua a ser uma prioridade para o Executivo.

 

No entanto, Antoine tem que reconhecer que sem a ajuda internacional o país caribenho não poderá realizar o processo.

 

"Os magistrados são atores neste jogo. É como o futebol: se não se tem um bom técnico é muito difícil vencer", exemplificou o diretor-geral, antes de admitir que o sistema judiciário haitiano é "débil".

 

"O apoio da CIDH é absolutamente necessário se quisermos conseguir o processo ou procedimentos para apresentar acusações contra Duvalier", acrescentou.

 

O Haiti já conta com o auxílio de dois analistas da ONU, disse Antoine.

Dinah Shelton, presidente de turno da CIDH, celebrou o fato de as duas partes estarem de acordo na necessidade de solicitar ajuda externa e disse que a Comissão está estudando visitar o país para ajudar o Haiti no que puder.

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